quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ano Novo, promessas novas

Prometi que iria mandar oitavo grau até o final do ano, mas infelizmente vai ficar para o próximo ano.
 
Treinei bastante, mas malhei muito pouco as vias fortes.
 
Resultado, a escalada esse ano foi um fiasco em termos de grau, mas consegui agregar novas promessas para o esporte. O que foi muito bom.
 
Se não mandei nada, pelo menos fiz volume e me diverti pra caramba, quem sabe ano que vem....
 
Promessa para 2010: escalar mais boulders para ficar fortinho! hehehehe
 
Feliz 2010 a todos!

Plantão Saúde – Alerta de nova Epidemia

Após o caos gerado em 2009 pela gripe H1n1 (vulgarmente conhecida como gripe suína) surgem novos motivos para pânico no Brasil. O ano de 2010 traz um grande alerta para nossa sociedade.

Recém descoberta uma nova doença que vem assolando a população. O mais alarmante é que não há delimitação de grupo etário nem diferenças na infecção de homens e mulheres. Todos somos vulneráveis.

Ainda não se sabe a cura, não se fala em vacina e a possibilidade de se tornar uma pandemia ainda não foi descartada pela Organização Mundial da Saúde.

Laboratórios internacionais vêm desenvolvendo insumos na tentativa de reduzir os agravos e aumentar a qualidade de vida dos “infectados”. No Brasil, a escassez de laboratórios e centros de estudos nesta área torna difícil a vida destes doentes, pois os insumos aqui são caros e raros. Porém iniciativas locais vêm mostrando grandes frutos na busca pela cura.

Nós do blog “a vida por alguns fios (AVPAF)” conseguimos com exclusividade entrevistar um pesquisador que preferiu não se identificar. Sugerimos clicar nos links para melhor compreensão da situação.

AVPAF – Fale-nos sobre a essa nova doença?

O que posso informar é que ela atinge grupos pequenos de pessoas e sua evolução está intimamente ligada ao contato com áreas remotas, sobretudo com formações rochosas. Porém a doença já atinge centros urbanos, mas em locais isolados.

AVPAF – Mas por que a imprensa mundial não vem divulgando o crescimento desta “doença”?

O fato é que a mídia nacional e internacional não percebe e não possui dados suficientes sobre a evolução dos casos. O Brasil, por exemplo, não possuía nenhum caso relatado até este ano e segundo a uma análise da IFSC (International Federation of Sport Climbing, realizada no dia 31/08/09) já estamos em 12º lugar entre os jovens do sexo masculino e 20º lugar entre jovens do sexo feminino. Outros centros de estudos apontam o Brasil como o 10º país nos casos masculinos. É um crescimento absurdo !!!

AVPAF – Realmente é alarmante a evolução dos casos no Brasil. Mas o que importa realmente é informar a população. Fale um pouco dos sintomas desta nova doença.

Não quero gerar pânico na população, mas é preciso atentar para os seguintes sintomas.

Dores nas articulações, sobretudo nas falanges com formação de calosidades e descamações nas mãos

Diminuição do abdômen globoso com emagracimento acelerado com aumento e inchaço da musculatura dos antebraços e ombros

Isolamento e mudança repentina de hábitos como a escolha por opções ecológicas de vida gerando preferências por lugares altos e opção pela utilização de calçados de número inferior aos pés.

Surgimento de escoriações de origem desconhecida do tipo arranhões e ralados.

Dislexia grave com fragmentação na expressão das palavras chegando ao extremo de confusão entre idiomas como exemplo observamos as seguintes expressões moleque = leke, sapatilha = sapata, fii = filho, kamon = come on.

AVPAF- E mata???

Poucos casos morrem, mas assusta muito principalmente no início da doença onde são comuns a taquicardia, pernas tremendo, perda de força nos braços e pernas e quedas. Geralmente torna-se uma doença crônica permanecendo por anos e até mesmo a vida toda, evoluindo constantemente em uma graduação já definida no Brasil e no exterior.

Segundo a imprensa internacional atualmente existem casos raros de pessoas acima dos 50 anos convivendo com a doença em graus elevados como nos casos clínicos dos pacientes Stevie Haston e Maurizio Zanolla.

O que assusta mesmo são casos recentes de adolescentes atingindo rapidamente graus elevados da doença como o pobre adolescente tcheco Adam Ondra que semana passada atingiu em FA a graduação 9a+ (francesa) algo ainda desconhecido em relação a doença. E até mesmo crianças vêm desenvolvendo de forma grave a doença.

Atualmente o que vem causando grande espanto na comunidade científica é o caso Sharma que deverá ser isolado e dissecado após a morte, pois ainda não se sabe como alguém atingiu um grau tão elevado desta patologia.

AVPAF – Preocupante. Já existe algum perfil epidemiológico (número de casos) por região do Brasil?

Técnico – Atualmente foi desenvolvida uma pesquisa para verificar os dados reais, mas já podemos afirmar que Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo possuem os casos graves, porém a região de Brasília, Goiânia e até mesmo o Ceará vem apresentando casos.

AVPAF – Fale um pouco mais sobre sintomas. O que realmente deve preocupar a população?

Técnico – Olha sinceramente o pior efeito relatado é a existência de distúrbios comportamentais que levam as pessoas a cometerem atos degradantes contra o ambiente e contra seus semelhantes levando inclusive a proibição e isolamento da comunidade de portadores da doença.

Para esses sintomas a comunidade internacional vem tentando elaborar protocolos, mas no Brasil ainda pouco se conseguiu consensuar em relação a esse problema.

AVPAF – Existe alguma relação entre gênero e a doença? É verdade que homens atingem graus mais elevados?

Durante algum tempo esta afirmação a respeito dos homens foi considerada verdade, no entanto cada vez mais se verifica uma “feminização” da doença. Casos como a eslovena Maja Vidmar e o mais impressionante são meninas como a Zhenja Kazbekova atingindo graus elevados com apenas 12 anos de idade. O fato mais recente que conheço foi a francesa Charlotte Duriff.

Recentemente o Brasil vem apresentando casos femininos graves como a jovem Raquel Guilhon atingindo alto grau no Rio de Janeiro e Francine Borges também em situação elevada da doença em Minas Gerais.

AVPAF – Para finalizar. O que você sugere como medida preventiva? Podemos evitá-la lavando as mãos com álcool gel e usando mascaras?

MS – Nossa é realmente difícil de evitar o contágio. Eu indico evitar contatos com os já infectados (sobretudo casos mais antigos), não se aproximar de regiões rochosas e manter distância de locais de muita aglomeração (como muros e academias).

Agora se você já estiver contaminado e passar álcool gel nas mãos vai arder muito e você não irá usar mascaras nem no carnaval pois estará escalando na data.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Mulheres que amamos!

Nova série no blog!

Para começar a austríaca Anna Stöehr, sem dúvida muito linda.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ano Novo, Vias Novas

Como não poderia deixar de acontecer, segue mais um relato do climb do famigerado bonde do AVPAF no final de semana. Na verdade, precisávamos de escrever alguma coisa nestas 2 últimas semanas do ano, mas como nessa época assumimos que não fazemos nada no trabalho e, sequer ligamos o computador para fingir que estamos fazendo alguma coisa, fica meio difícil postar novidades. Para acabar com esse ócio criativo, optamos por escalar na Fercal (que é próximo) e mais especificamente nas vias "Pança de Mamute" e "El Demo" (as mais próximas). No bonde: Batata (Álvaro), Dany, Roger e eu. Esdras e Patrícia tiveram um pequeno percalço etílico causado pela festa de inauguração de sua casa no sábado, e declinaram do nosso convite.
A idéia de escalar a Pança foi tão somente dada para que a Dany iniciasse sua escalada guiada, por se tratar de uma via fácil e que ela já havia mandado de top rope. Como sou um namorado atencioso e "gente boa", equipei a via e deixei a 1ª já costurada para que ela tivesse mais segurança na saída, que diga-se de passagem fica ainda mais chata para ela e seus incríveis 1,53 m de altura.

"você quer que eu lhe diga palavras de carinho?"

Nem precisava... segurando em 2 regletinhos (que eu confesso que nem tinha visto que existiam) subiu os pés e alcançou a agarra que para os maiores de 1,70 m de altura, já é o início da via. Passou pelo platô e "click!" a 1ª costurada de sua vida! Hehehe

Flagrante da 1a. costurada de Dany-Dany


Da mesma forma que começou, terminou a via... sem tomar conhecimento. Mesmo escorregando o pé em um momento, manteve-se calma e terminou sem problemas. Pra completar o serviço, desequipou, já que Roger (Escallossauros calvus ciclisticus) e Batata estavam focados na "El Demo" ainda não encadenada (por nenhum de nós 3, diga-se de passagem).

Partimos então para a via que queríamos encadenar ainda nesta década (2000-2009). Como da última vez eu havia entrado equipando a via, o Roger entrou na pilha de mandar sacando. Moves já isolados anteriormente, sapata nova, sague nos zóio e um batente abaulado e babado logo depois do El Demo.. foi o suficiente para um pequeno escorregão e o fim da tentativa após a 2ª costura. Ele desceu e entrei para terminar de equipar a criança. Enquanto isso, Batata já estava deitado na rede, com sua disposição usual.

Terminei de equipar, aproveitando para rever os moves e limpar as agarras e desci para que o Batata entrasse. Lá foi ele e no 1º movimento, indo pro El Demo, lembrou o porquê a via não havia sido encadenada antes... tem que fazer força sim!!! Mesmo pedindo pra travar, tocou pra cima para relembrar todos os movimentos da via e desceu para que a Dany entrasse. Neste momento pairou a tensão na base da via. Conseguiria Dany-Dany, após ter guiado um 6º grau pela 1ª vez (e escalando muito), mandar a via que os três marmanjos ficaram apanhando??? Para a felici.... ops! tristeza da nação ali presente, não. Mesmo assim fez uma leitura digna do Bera (para anões) até a chegada do El Demo, que ficou bem legal.

Entrei na missão de encadenar e acabar com a frustração de já ter entrado 3 vezes na via sem mandar. Passei o movimento para o batente de forma estática, pisei no El Demo de pé direito, pra entalar o braço esquerdo no buracão, ajeitei o pé esquerdo e me equilibrei bem para entalar o braço direito e costurar. Tudo saiu perfeito! Só não avisaram pro meu pé, que ele tinha que desentalar do El Demo, pra eu continuar na porra da cadena!! Resumindo, fiquei preso pelo pé e não teve guindaste que tirasse ele de lá! Pra variar, desci sem a cadena... Roger entrou mais uma vez, mas não conseguiu encontrar os moves que estava com tanta facilidade na trip anterior, acabou deixando a via com gostinho de "quero mais".
Mais uma vez Batatinha entrou e chegou ao entalamento do braço direito, mas acabou escorregando e caindo com um pouquinho de corda na mão (ou quase isso). Neste escorregão ele acabou por criar uma variação da via, no melhor estilo dos boulders SDS (Sit Down Start). Criou a "El Demo CS" (CS = Chegando Sentado), mas nada que um analgésico na polpa e uns 3 meses de psicólogo pro seg, não resolvessem.


Roger: chegando fácil ao batente

Batata no mesmo move do Roger: quanta diferença

Vocês devem estar pensando: "Escreveram isso tudo, pra dizer que não mandaram porra nenhuma!".

Calma! No final do dia, consegui encadenar a via, entrando para o grupo dos que já tiveram seus braços completamente ralados pela famigerada "El Demo". Fica aqui meu agradecimento à todos que aguentaram minha chatice (que não é pouca) enquanto eu estava nesse projeto (Dany, Roger e seu psicológico abalado, Batata e sua bunda ralada, Bera e Rosinha, Marcelão, Pati e Esdras, Rodolfo, etc.), valeu a vibe, galera!




Palavras de fé e otimismo do Profeta

Aproveitando o clima festivo de final de ano e as ações universais de renovação dos votos de felicidade e saúde, ressalto a importância da coerência das palavras e das reais intenções dos indivíduos para com seus entes queridos.

Certa vez o Grande Profeta, do alto de sua Himalaiana Sabedoria, questionou aos pequenos mancebos deste singelo blog, sobre qual a importância que dávamos às palavras que dizíamos e nossa compreensão acerca de sua força. Neste momento, ele perguntou:

"Por que um homem que:

-chega de madrugada em casa completamente bêbado;

-chuta o cachorro;

-tropeça e derruba a cristaleira;

-mija dentro da geladeira achando que abriu a porta do banheiro e

-vomita no tapete da sala,

é acordado carinhosamente por sua esposa no dia seguinte, com café na cama, duas aspirinas e vê a casa toda arrumada?"

- é porque ele assumiu para a mulher que tem uma 2ª família?

- ele chegou bêbado porque foi o enterro da sogra de sua esposa (sua própria mãe)?

- Enquanto sua esposa o arrastava para cama ele gritou:
"NÃO FAÇA ISSO MOÇA, SOU CASADO E AMO MINHA ESPOSA!"

Moral da história: Às vezes, 10 palavras valem mais que 1.000 ações!!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

VAI TOMAR NO CRUX!

Semana toda um sol infernal, após três finais de semana seguidos trabalhando, tenho a chance de escalar e temos um final de semana com grandes possibilidades de chuva:

–VAI TOMAR NO CRUX!!!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

BASEADO EM FATOS REAIS 3 – a saga de Júnior

Eu já havia me convencido da nova mania de meu filho Júnior após o susto em que achei que ele estava se drogando. Todo fim de semana lá ia ele para Cocalzinho-GO, Fercal ou Belchior.Eu como pai participativo e cuidadoso até o acompanhei em alguns passeios embora não entendesse tanta motivação afinal viagem de escalada é sempre a mesma coisa, um bando de homem e as poucas mulheres já são comprometidas.

Comecei até a achar bonito a prática da escalada, mas no fundo me indagava: - Esse menino não faz mais nada da vida? Não namora? Não bebe? Todo dinheiro que ele ganha em seu trabalho é gasto em viagens, equipamentos, etc...

Achei melhor tentar estimulá-lo a enxergar outras coisas na vida, pois um dia pretendo ser avô.

Mesa de jantar

[PAI]: Eae filhão? Vai escalar esse fim de semana? Qual vai ser, Cocal, Belchi? (tentando falar igual a ele).

[JÚNIOR]: Nada pai. Ando com um novo projeto de vida aê.

[PAI]: (ai meu Deus só falta ser o Everest) – Fala ai filhão? Você não está pensando em subir o Everest?

[JÚNIOR]: Não véi, estou apenas curtindo um lance novo, mas por enquanto não vou falar.

[PAI]: Por quê? Pensei que fossemos brothers?

[JÚNIOR]: Pô é que só uma idéia inicial, não quero pressão na minha cabeça, é um lance meio perigoso e sei que você vai xaropar.

[PAI]: Beleza, eu respeito sua vontade, afinal somos amigos. Quando estiver pronto você sabe que pode contar comigo.

(respeito coisa nenhuma, vou descobrir o que esse moleque está aprontando.Eu já prometi que não escuto mais conversas no telefone e nem investigo a vida dele, mas vou quebrar a promessa por que isso está me cheirando a merda).

AO TELEFONE (o pai e seu velho costume de ouvir as conversas)

[JÚNIOR]: - Eae Mosca, beleza?

[MOSCA]: – Aê leke já foi lá ver o lugar? E a largura do buraco?

[JÚNIOR]: – Pow pior que fui e fique frustado...

[MOSCA]: - Porquê rapaz? O quê que tem de mais?

[JÚNIOR]: - Ah leke, o buraco é lindo. O problema é que a minha parada é pequena. Não dá nem para o começo.

[PAI]: Largura do buraco? Parada pequena? Se for o que eu to pensando ele puxou a família da mãe.

[MOSCA]: - Sério mesmo? Mas você tinha dito que tava tudo certo.

[JÚNIOR]: - Nada, e o pior não é isso. O pior é que não sei como vou esticar.

[MOSCA]: -Você já pensou em usar aquele lance mecânico, você coloca tipo uma catraca que vai esticando?

[JÚNIOR]: -Leke aquilo não é garantido não. Pode empenar e ai já viu.

[PAI]: Coitado do meu filho vai apelar para tratamentos de aumento de pênis todo mundo sabe que isso não funciona. Será que é tão pequeno assim?

[MOSCA]: - Aê vamos juntar uma galera e ai a gente estica. Faz aquele esquema de dar uns nós.

[JÚNIOR]: - Tá louco leke? Nó enfraquece a parada. E como eu te falei, a minha não dá nem esticando.

[MOSCA]: - Ai é foda, vai ter que gastar uma grana.

[PAI]: Esse Mosca é mesmo um idiota, onde já se viu dar nó, chamar a galera para esticar. Isso ia doer pra caraio. Será que devo usar aquele dinheiro que eu estava guardando pra ajudar nesse problema do Júnior?

[JÚNIOR]: - Nem fala. Mais não vou desistir assim não. É um sonho. Vai ser minha primeira vez num lance desse tipo.

[PAI]: Primeira vez? Além de pinto pequeno esse muleke é virgem. Será que sou um pai tão ausente assim?

[MOSCA]: - Mas aê leke, sendo a primeira vez você não acha que pode adrenar e acabar "bundando"?

[JÚNIOR]: - Você está me tirando??? Papo é esse de "bundar"?

[MOSCA]: - Nada não véi eu só...

[JÚNIOR]: - Nem vem com esse papo, confio no equipamento e o segredo está na mente.

[MOSCA]: - Como assim?

[JÚNIOR]: - É só não ir muito rápido, manter o ritmo do movimento, ir passo a passo respirando e com a mente focada para não se desgastar e acabar rápido.

[PAI]: Pelo menos ele sabe a teoria. Menos mal.

[MOSCA]: - É eu também nem posso falar muito não, nunca experimentei.

[PAI]: Só pode ser virgem, com um amigo desses.

[JÚNIOR]: - Sério? Nem em casa?

[MOSCA]: - Não, nem em casa.

[JÚNIOR]: - Porra leke tu não sabe o que tá perdendo. Em casa eu ainda não fiz, mas armei um esquema aqui na minha esquina. Era meio escuro e um pouco sujo, mas é bom demais e ainda ajuda a manter o preparo físico.

[PAI]: Eu sabia que essa vizinhança estava piorando, mas prostituição é absurdo. Esse lance de ter um Cabaré perto desvaloriza o imóvel.

[MOSCA]: - Rola de ir ai curtir esse lance?

[JÚNIOR]: - Chega ai.

Na sala

[PAI]: Onde você vai ?

[JÚNIOR]: Vou ali treinar um pouco.

[PAI]: Filho podemos conversar? Acho que preciso te falar umas coisas.

[JÚNIOR]: Depois , o Mosca tá vindo aqui. Fui

Não sei se fico feliz ou preocupado dele apelar para esse tipo de serviço. É melhor eu não tocar nesse assunto com ele e investigar melhor para evitar que ele se meta em perigo. Imagina, esse muleke não deve nem saber o que é camisinha.

No outro dia Júnior e Mosca em casa conversando. Fiquei ali só escutando a conversa e fingindo que estava trabalhando no meu computador.

[JÚNIOR]- Eae leke como é que tá?

[MOSCA] -Putz estou todo doído. Minhas pernas e as costas ficaram destruídas.

[JÚNIOR] -Falei que o lance exigia preparo. Mas você se sentiu bem? Curtiu?

[MOSCA] - Até curti, mas não sei se levo jeito. Minhas pernas tremeram muito. E acho que não tenho muita postura.

[JÚNIOR] -O começo é assim mesmo, meio tenso, mas depois você se solta. Daqui a pouco rola até de fazer umas posições diferentes, umas manobras. Curte esse vídeo aqui (ligando o notebook)

[MOSCA] - Caraio, como é que ela faz isso? Sentou, deitou, ficou em pé, abriu a perna tudo sem sair de cima. Parece até yoga.

[JÚNIOR] - Pois é. Eu mesmo já aprendi a ajoelhar.

[MOSCA] - Maluco acho que para mim demora muito até chegar a ficar de pé o que dirá fazer posições.

[JÚNIOR] - Nada, é só questão de tempo até você aprender.

[MOSCA] - Vamos tentar armar um esquema assim lá em casa?

[JÚNIOR] - Nem sei. Sua família pode achar ruim.

[MOSCA] - Nada. Lá é grande e a galera lá de casa nem vai ver.

[JÚNIOR] - Boto fé então. Posso chamar uma galera?

[MOSCA] - Pô cara tá achando que a minha casa é o quê?

[JÚNIOR] - Relaxa foi só uma idéia. Mas agora eu vou sair, comprar umas paradas e planejar direito por que no próximo fim de semana quero fazer o lance lá no Belchior. Já até procurei um amigo que tem mais experiência em esticar.

[MOSCA] - Posso ir junto? Só quero assistir.

[JÚNIOR] - Poder até pode, mas tem que garantir uma vibração positiva. Não pode me deixar nervoso senão estraga o momento.

[MOSCA]- Pode deixar, fico calado. Você nem vai ver que eu estou lá. Mas posso filmar?

[JÚNIOR]-Claro!!! Boa Idéia. Um filme desse lance vai ser irado.

[MOSCA]- Então é isso ai. Vou nessa.

[JÚNIOR]- Falou, abração.

[PAI]:Chegou a hora, isso está se tornando perigoso demais

[PAI]: Filho que porra é essa? Um cara da sua idade, virgem, com o pinto pequeno e ainda quer fazer filminho pornô com a ajuda do Mosca? E o pior apelando para amigos mais experientes quando você tem seu pai aqui para te apoiar.

Filho: Como é pai? O senhor errou a dose do remédio de novo? Bebeu o antidepressivo com uísque? Que viagem é essa?

[PAI]: Bem que eu queria um antidepressivo. Na sua idade eu já era famoso entre a mulherada e não tinha buraco maior que a minha parada.

Filho: Pô não estou entendendo nada. Você está querendo falar sobre sexo? Acho que é meio tarde, já estou com 25 anos.

[PAI]: Você tem razão, demorei a te ensinar as coisas da vida. Mas não vou deixar você cometer idiotices como tentar esticar o pênis com catraca e ficar gastando dinheiro com prostitutas aqui na esquina. E ainda fica querendo marcar essas coisas na casa do Mosca. Meu Deus, o quê que o pai dele vai pensar da nossa família?

Filho: Porra pai você anda ouvindo conversa no telefone aqui em casa de novo? Pensei que já havia aprendido a lição. Tenha santa paciência.

[PAI]: Sei que quebrei minha promessa, mas foi em nome do meu papel de pai. Filho meu não vai ficar passando vergonha assim não. Por isso que você só pensa em escalar e não arruma uma namorada.

Filho: Senta aqui e assisti. O que eu estou tentando fazer é high line, corda bamba na altura. O que eu estico é uma fita. È uma prática ligada a escalada. Entendeu?

Minutos depois

[PAI]: Entender eu entendi, mas não vou deixar você fazer isso nem a pau. Lance de suicida esse ai.

[JÚNIOR]: Porra pai você não acha que eu já passei da idade de precisar da tua autorização. SE LIGA VÉI !!!

E assim, Júnior segue sonhando em realizar o primeiro High line no Belchior-Go.

Leia mais sobre as aventuras de Júnior em :

Baseado em fatos reais

Baseado em fatos reais 2

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sonhando com Pedra (6sup)

Finalmente ela estava ali bem como eu previa,

Um dia perfeito, sol, vento e natureza em harmonia

Cheguei humilde, mas decidido do que queria

Tudo era excitação, concentração e alegria.

Toquei rapidamente, senti sua vibração,

Em sintonia bateu meu coração

Ela retribuiu o carinho, mas senti sua hesitação

Aproximei o corpo, colei o rosto, senti o frio

Ela então me respondeu:

-Tenha cuidado comigo, toda conquista é um desafio.

Nada notei de alerta, sentia-me bem e segui feliz

Por um tempo esqueci a condição de aprendiz

A cada estágio alcançado contemplava a paisagem

Ela permaneceu acessível, me seduzia a cada passagem

De repente mudou tudo de figura

Nuvens fechando, mudou a fisionomia e a textura

Meu corpo chamava por ela: - Por favor me segura.

Ela imóvel respondeu: - Você não tem estrutura!

Em um segundo todo o planejado era esquecido

No ouvido o silêncio deu lugar a um zumbido

Eu pedia, implorava: - Não faz isso comigo.

Ela respondeu seca: - Não te conheço, meu amigo.

Grite, fechei a mão, me agarrei como podia

Era inútil toda força ela não correspondia

Caí rápido, como da árvore cai uma fruta

E gritei bem forte.

- Um dia "encadeno" essa filha da puta!!!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

La Brochada 7c/8a (?)

[Ele] Não devia ter inventado de vir aqui sozinho com você. Será que você está preparada pra fazer isso? Vê lá hein!

[Ela] Quê que é hein? Tá com medinho?

[Ele] Para de zuar.

[Ela] Não confia em mim não? Estou achando que você está inventando desculpas pra não subir. Qual é, está sem resistência?

[Ele] Sem resistência? Se liga, já fiz coisa mais difícil.

[Ela] Sei, sei... Então para de inventar desculpa e sobe logo. Tudo certo com a segurança?

[Ele] Já, está tudo certo. Só tenho medo da nossa diferença de peso.

[Ela] Já fiz isso antes, com gente mais pesada que você.

[Ele] Prefiro nem pensar nesse seu passado, você andava com uma galera muito idiota, nunca fizeram um curso e já saiam por ai aprontando e correndo riscos desnecessários.

[Ela] Nossa como você é nerds !!! Nada melhor que a vivência para aprender esses procedimentos. Curso nenhum te ensina a mandar bem. Vai logo amor!!! Daqui a pouco eu acabo desistindo.

[Ele] Beleza, seja o que Deus quiser. Vou entrar.

[Ela] Vai, isso. Sem pressa, faz o movimento direito. Descansa um pouco ai. Isso. Boa.

[Ela] Continua assim, tá maravilhoso.

[Ela] Para de tremer! Respira.

[Ele] Acho que eu vou parar, tô adrenado.

[Ela] Deixa disso, você está bem. Foi a melhor entrada que eu vi até agora.

[Ele] Sério? Você achou? Acho que estou fazendo força demais para algo assim.

[Ela] Que nada. Para com esse papo e continua.

[Ele] Tá bom. Mais presta atenção ai.

[Ela] Relaxa, sou expert em fazer isso..

[Ele] Estou vendo, mas mantém essa mão ai.

[Ela] Faz sua parte que eu faço a minha. Vai, vai. Continua. Isso. Mantém esse ritmo!

[Ela] Não sai não, é por ai mesmo. Vai que tá quase lá.

[Ele] Nossa ruim demais isso aqui.

[Ela] Ruim nada é tudo bom. Põe esse dedo ai. Agora aperta! Uhuuu!

[Ela] Vai morde! Morde o reglete !!! Ficaaaa!!!!

[Ele] Vou caiiirrr!!! Travaaaa !!!

[Ela] Nããããoooo! Droga. Merda. Porra!!!

[Ele] (ofegante e pingando suor) Que merda, tava quase lá!

[Ela] Eu vi. Você vacila demais. Hesita demais. Era só morder, ficar e continuar. Você perde muito tempo nessas coisas.

[Ele] Qual é amor ??? Vai ficar me julgando agora? É muita pressão!!!

[Ela] Claro. Já é a décima vez que você entra e o resultado é sempre esse. É frustrante.

[Ela] O seu erro é que você vai muito rápido, é muito apressado, parece um menino fazendo o movimento.

[Ele] Porra, obrigado pelo apoio ai.

[Ela] Desculpa, acho que eu esperava mais de você hoje. Senti você mais focado, mais determinado. Ainda acho que isso que tá acontecendo é psicológico. Só pode ser.

[Ele] Pior que é. Acho que chega naquela hora e eu perco a cabeça. Você tem razão. Isso nunca me aconteceu antes!

[Ela] É certeza que é psicológico. Você nunca esteve tão bem, forte e tem técnica. Acho só que tem que melhorar essa pegada ai.

[Ele] Você está tornando esse momento mais difícil. Vou voltar e tentar esse movimento de novo.

[Ela] Não, não, não! Já chega por hoje. Cansei de ficar com o pescoço doendo por nada. Ou faz do início até o fim ou nem inventa de fazer preliminares.

[Ele] Está bem. Vamos embora. Outro dia eu sei que vou conseguir.

[Ela] Assim espero. Já estou cansada disso. Quero experimentar algo novo.

[Ele] Pois é, eu também.

[Ela] Você não vai experimentar porra nenhuma até resolver essa pendência. Nem vem com esse papinho de perdedor.

[Ele] Está bem amor. Você tem toda razão. Obrigado ai pela força.

[Ela] Só falo isso tudo pro seu bem. E nem tente colocar a culpa desse fracasso em mim, eu fiz tudo direitinho.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

“-Como é mesmo o nome daquele alemão?...” “-Alzheimer, vô!!”

Mais um domingão de climb aqui no AVPAF. Dessa vez, o nosso bonde foi um tanto quanto desfalcado (isso pra não dizer completamente). Esdras ainda em sua campanha para se tornar Ministro da Saúde, passou a tarde em um evento, convencendo especialistas da área de saúde e afins, a colaborar em sua campanha (o famoso lobby). Paty, como a parte responsável do casal, resolvia os últimos detalhes para a mudança para a casa nova. A dany, um tanto quanto desanimada com o clima e em final de semestre, também preferiu ficar em casa estudando. O Fera acabou sendo vítima do cancelamento do concurso do MDIC (diga-se de passagem, no meio da realização da prova!) e também não foi. Vocês devem estar se perguntando: "E o Álvaro? Cadê ele?". Parafraseando uma personagem de TV, repito... "PREFIRO NÃO COMENTAR!" hehehe! Mas vamos falar de Climb!!!

Assustadoramente, como em um filme de suspense, recebi um telefonema inesperado no sábado à noite. Era o Bera (Escallossaurus naniccus), perguntando onde eu escalaria no domingo e afirmando que iria escalar, de qualquer jeito. Surpreso por esta revolta dele com o cativeiro (pois seria o segundo final de semana que ele escalaria outdoor em menos de 12 meses), tratei de contactar o Roger (Escallossaurus calvus ciclisticus), para ampliar o bonde.

No domingo pela manhã, recebo outra ligação do naniccus, confirmando que iria junto com sua companheira Amy Wine Rose (também conhecida como Roseane, Rosinha, etc.) e ainda levaria o Marcelo (Escallossaurus gigantus patternus). Nos encontramos na, já tradicional, ViadosPães (inclusive com o Roger) e partimos rumo à Fercal, para escalar vias do primeiro setor, pois eu já estava na pilha de encerrar minha pendência no setor, a "El Demo". O Bera sugeriu ainda uma entrada na "Ribombo", rapidamente questionada devido à distância a ser percorrida (principalmente por mim – preguiçoso, descarado!).


Chegamos à base das vias "Corrimento Geológico" e "Plano Cartesiano" às 14 hrs aproximadamente e, obviamente, optamos pela mais fácil. Bera se propôs a equipá-la, para não correr o risco de ter que desequipar depois. Ele veste a cadeirinha, coloca as costuras no rack e... "cara... esqueci minha sapata!" Sim, queridos leitores, ele esqueceu de levar a sapatilha para escalar... Provavelmente isso ocorreu devido a rigorosa ação dos anos sobre nosso colega de cativeiro (velhice, mesmo!).

Depois de calçar a sapata da Rosinha, equipou a via fazendo uma forcinha, mas sem nenhum problema. Logo após, entrei e sem lembrar de como havia feito da última vez, acabei dando um "tapa"que não deveria existir e cai. Como sou chato e competitivo, pedi para descer sem isolar nem tentar o move novamente, já que se tratava de uma via que eu já encadenei há um tempo. Ao tentar desfazer o nó da cadeirinha, o Marcelo percebeu que havia alguma coisa vermelha na minha mão... eu tinha ganho inteiramente "de grátis" um senhor rasgo no dedo, que me obrigou a enfaixar e ficar parecendo um microfone.

Marcelão também passou pelo mesmo perrengue, não achando a agarra que terminava o crux e aproveitou para se lembrar dos movimentos e visualizar o pezinho salvador, que estabiliza todos os que o utilizam! Nosso querido Roger não passou impune pelo crux, tomando um pequeno aperto e ficando muito satisfeito com isso (vocês imaginam a felicidade dele, né? Dava pra ver o cara babando de raiva! Hehehe). Rose foi lá, acabou ficando no mesmo lugar dos outros 3 anteriores... Pra resumir a história, entrei novamente e encadenei usando um tail hook pra ficar bem posicionado. Marcelo fez o mesmo, usando de seu tamanho para ignorar a pinça ruim e ir direto para o agarrão. Bera entrou novamente, para mostrar como aquilo era fácil e eis que chegou a vez do Roger... Juro que ouvi uma voz ao fundo: "Momentos de tensão, nu Caldeirããão!!"... e ele atropelou a via, com direito a grito do Sharma no final, para felicidade geral da nação.

Partimos para o meu problema do dia, a El Demo. Lá, encontramos o Professor Horse com a Bia, Da Mata, e Eduardo, malhando as diversas formas da Greyskull. Da 1ª vez que vi a via, Álvaro e eu isolamos os movimentos, mas não encadenamos, desde então, nunca mais olhei pra cara dela e decidi que seria um ótimo preparatório, rumo ao 8º grau. Entrei com o intuito de encadenar sacando as costuras, mas como já era de se esperar, não o fiz. Terminei de equipar e aproveitei para relembrar as agarras e alguns posicionamentos. Marcelo, por ser pequenininho, chegou no El Demo e no batente abaulado sem fazer nenhum esforço, mas acabou tendo muita dificuldade de achar as agarras para entalar o braço. Roger também se valeu da altura para chegar bem no batente, conseguiu segurar outra agarra abaulada de esquerda e algo aconteceu... "Ta com medinho de entalar o bracinho, é? Ta com medinho?" hehehe!! Acabou adrenando na hora de fazer o entalamento do braço direito para costurar a penúltima e também voltou pra casa com uma pendência pra próxima (mas pilhado pra voltar logo, pois faltou pouquíssimo).


Entrei com sangue no olho, pra acabar com a palhaçada e encadenar a maldita. Saí do 1º batente em um dinâmico certinho pro El Demo, subi o pé rápido, e consegui chegar estático (em um move de equilíbrio) no batente abaulado. Entalei o braço esquerdo meio mal e, partindo para a ignorância fiz de tudo para conseguir entalar o braço direito, de forma que me permitisse costurar a próxima... sem sucesso, mais uma vez, ela me venceu!

Sob um início de chuva, desequipei a via após o Bera tentar mandá-la (também sem sucesso), usando meu saco de magnésio emprestado, pois também esqueceu o dele, e saímos correndo pra casa debaixo de muita chuva.

Mais um dia (ou uma tarde, no caso) de ótimo climb! Valeu Escallossaurus (aos 3) e Amy Wine Rose pelo dia!!

Será que eu esquci alguma coisa???? hehehe

El Demo que me aguarde!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Satisfaction – Domingão em Cocalzinho-GO

Após sofre criticas e ameaças de demissão do editor Álvaro, resolvi ser bem eficiente e fazer o relato deste domingo o mais rápido possível (o relato do domingo retrasado só enviei na sexta-feira por isso não foi ao ar, cobrem do Álvaro hehehe).

A escalada deste domingo gerou grande mobilização na internet – grande blefe - no final das contas partimos no mesmo bonde de sempre (eu, Pati, Júlio e Álvaro) na esperança que mais gente comparecesse a Cocalzinho-GO. Nem preciso repetir o quanto estou encantado com as vias e com a vibe deste lugar.

A chegada ao parque em Cocalzinho teve direito a um fusca atravessado e atolado na pista que forçou as habilidades de motorista de Álvaro e o esforço dos demais tripulantes.

Escalávamos a linda via Rolling Stones (6º sup – graduação questionável considerando o movimento inicial para um bidedo invertido punk) com um visual de deixar de cara. Todos levamos aquela surra inicial com direito a roubar na corda ou usar o caminho lateral (I can't get no satisfaction - Cause I try and I try and I try and I try). Destaco aqui que Álvaro e Pati tinham tudo para passar o lance, faltou foco.


[Nota do editor] Que saquinho de magnésio mas gay desse tal de Álvaro


De repente chega até nós Philipe, escalador goiano que se somou a nosso grupo, pois havia se perdido de sua galera. Philipe passou o movimento inicial demonstrando seu prévio conhecimento da via, porém foi na força mesmo, ao terminar a ascensão Philipe foi se reunir ao grupo goiano que estava próximo dali escalando o projeto ao lado da via Corta Corda (7a). Álvaro ainda deu um pega repetindo o movimento de Felipe e sua própria leitura, mas acabou optando por se poupar.

Quando já estávamos partindo para outros locais surge em meio ao cerrado uma figura mística da escalada brasiliense o "Escalosaurus Calvus Cicliticus Fraturadus" mais conhecido como Gigante. Gigante estava com sua namorada e veio se juntar ao bonde na esperança que outro escalosaurus (Roger) estivesse conosco. Após comentários sobre como o Rodolfo é furão nesse lance de escalada, Gigante e namorada aproveitaram e curtiram conosco a Rolling Stones. Partimos então para nos unirmos a galera goiana na base da Corta Corda.

Chegamos a base e encontramos Felipe, Samurai (Eduardo), Paula(?) (namorada do Samurai). Após uma ancoragem do seg Felipe em uma pedra (procedimento recomendado nesse caso), Samurai entrou no projeto ao lado da Corta a Corda.

Essa via é simplesmente alucinante, um dinâmico para um agarra de esquerda, a segunda costurada é de lado e a sequência de agarras pra cima disso é foda. Resumindo um crux seguido do outro. Samurai detonou os dedos com direito a muito sangue e abriu espaço para Gigante dar um peguinha no projeto. O Sol nesse momento torrava e não havia sombra no local.


Quem conhece o Gigante sabe de suas leituras exigentes, ele mandou um foot hook sinistro, pegou o reglete estático (dada altura da figura) e por pouco não passa de primeira o crux. Esse foot hook era o beta que faltava para o Samurai ficar de vez no reglete e costurar bem na segunda chapa.

Samurai entrou com dedos rasgados demonstrando que é questão de tempo a cadena do projeto. Cabe aqui um detalhe, Samurai utilizou uma costura longa, gringa da Petzl do Álvaro na segunda chapa que simplesmente ficou condenada após as respectivas entradas (vale o aviso para que for tentar o projeto – sugerimos o nome para a via de Corta Costura hehehehehehe).

O que é uma fita expressa perto da vibe e da emoção que rolava a cada entrada de Gigante e Samurai na via? Histórico momento complementado pela entrada de Gigante na Corta Corda com um foot hook acima da cabeça que deixou todo mundo de cara, mandou fácil demais.

As entradas de Àlvaro, Julio e Pati na Corta a Corda não são dignas de comentário hehehehe. Eu me rendi a minha insignificância e fiquei ali, dando seg e curtindo.

O bonde goiano partiu para casa e decidimos conhecer os projetos novos próximos a Escoliose (6º) e Ate Cubanos (6º). Equipamos estas duas e a via Cala e Escala(6º) que é uma das novas atrações do setor. Gigante e Álvaro levaram uma pequena surra da Ate Cubanos e Julio atropelou a via com direito a uma passagem de equilíbrio pelo crux. Eu guiei a Escoliose, costurei errado a 3 chapa e gastei tudo o que tinha para corrigir o erro.

Gigante passou sem problemas pela Cala e Escala, mas afirmou que o lance entre a 3 e 4 chapa ficou um pouco exposto (esticão entre chapas). Pati não estava bem e levou um nocaute da Ate Cubanos. A chuva não demorou a chegar fazendo que a limpeza das vias fosse feita na pressa.

Gigante pediu seg de sua namorada (ainda inexperiente no assunto) e ao chegar na costurada final passou um medão na galera gritando por corda. Posteriormente o canalha confessou que era apenas brincadeira, mas quase matou a Pati do coração pra soltar a corda do gri-gri, ela voltou tremendo pra Brasília hehehehe.

Outro conselho importante – façam a limpeza das vias rapelando, pois Cocal não perdoa a corda.

Corremos pela longa trilha e entramos no carro com uma sensação de tarde proveitosa. Ao som de São Paulo versus Botafogo (eu tinha que secar o São Paulo para o Flamengo ser campeão), comendo um sonho de padaria e relembrando cada pedaço do domingão.

Ficou a promessa de montarmos um bonde unido Brasília-Goiânia para explorar outros locais no maravilhoso estado de Goiás – Iporá e Vila Propício serão o destino. Fica também o convite para os amigos goianos aparecerem em Brasília para conhecer o calcário hard da Fercal.

Valeu Samurai, Felipe, Paula, Gigante e esposa!!! Sigo ao som de Rolling Stones!!!

Mais fotos:




[Nota do editor] Ficou faltando fotos do Philipe, Gigante e Paula.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Consciência Negra

Eu sei, eu sei. Isso aqui é um blog de escalada. Fazemos piada de nossa vida, divulgamos a escalada no Planalto Central e relatamos nossas escaladas. Mas hoje farei diferente mesmo sem a permissão do editor (afinal estou em Cuiabá e ele não pode me bater). Esse post é uma mensagem política, pois nem só de escalada vive o escalador(a)

Hoje (20 de novembro) é o Dia da Consciência Negra. Vivemos num país que nega a existência do racismo e nossa história pouco conta do que viveu e vive a população negra brasileira. Para aqueles que acreditam que não há racismo no Brasil convido a abaixar a janela do carro, olhar a vida ai fora e ver como se constiui nossa sociedade. Essa data deve ser um lembrete do sofrimento e dor causados pela escravidão em nosso país e demonstrar a força de resistência desse povo exemplificada na figura de Zumbi dos Palmares.

Deixo você com a poetisa, atriz, mulher e negra Elisa Lucinda.
Leia ai preguiçoso (a) porque se não ler até o final não entende a mensagem da mulher.

Elisa Lucinda
Mulata Exportação


"Mas que nega linda
E de olho verde ainda
Olho de veneno e açúcar!
Vem nega, vem ser minha desculpa
Vem que aqui dentro ainda te cabe
Vem ser meu álibi, minha bela conduta
Vem, nega exportação, vem meu pão de açúcar!
(Monto casa procê mas ninguém pode saber, entendeu meu dendê?)
Minha tonteira minha história contundida
Minha memória confundida, meu futebol, entendeu meu gelol?
Rebola bem meu bem-querer, sou seu improviso, seu karaoquê;
Vem nega, sem eu ter que fazer nada. Vem sem ter que me mexer
Em mim tu esqueces tarefas, favelas, senzalas, nada mais vai doer.
Sinto cheiro docê, meu maculelê, vem nega, me ama, me colore
Vem ser meu folclore, vem ser minha tese sobre nego malê.
Vem, nega, vem me arrasar, depois te levo pra gente sambar."
Imaginem: Ouvi tudo isso sem calma e sem dor.
Já preso esse ex-feitor, eu disse: "Seu delegado..."
E o delegado piscou.
Falei com o juiz, o juiz se insinuou e decretou pequena pena
com cela especial por ser esse branco intelectual...
Eu disse: "Seu Juiz, não adianta! Opressão, Barbaridade, Genocídio
nada disso se cura trepando com uma escura!"
Ó minha máxima lei, deixai de asneira
Não vai ser um branco mal resolvido
que vai libertar uma negra:

Esse branco ardido está fadado
porque não é com lábia de pseudo-oprimido
que vai aliviar seu passado.
Olha aqui meu senhor:
Eu me lembro da senzala
e tu te lembras da Casa-Grande
e vamos juntos escrever sinceramente outra história
Digo, repito e não minto:
Vamos passar essa verdade a limpo
porque não é dançando samba
que eu te redimo ou te acredito:
Vê se te afasta, não invista, não insista!
Meu nojo!
Meu engodo cultural!
Minha lavagem de lata!

Porque deixar de ser racista, meu amor,
não é comer uma mulata!

(Da série "Brasil, meu espartilho")

sábado, 14 de novembro de 2009

Tabela de graduação por AVPAF - final

Escalada em Artificial

Estilo de escalada pouco compreendido. Para ascender a via o escalador utiliza de degraus, clifs, jumares e muitas parafernálias. A quantidade de equipamentos leva a crer que não se faz esforço físico o que é pura ilusão. Essa escalada é uma ciência que demora a ser aprendida e que exige acima de tudo apoio financeiro e patrocínio. A graduação está intimamente ligada ao perigo que se corre ou em poucas palavras a proximidade com a morte.

A0 – É aquela via que tem um ex-namorado fortinho. Tem seu risco, mas você confia no seu equipamento.

A1 – O ex-namorado nesse caso foi campeão sul-americano de muai tai e costuma treinar chutando coqueiros com a canela e dando cotovelada na pilastra. Sabendo os procedimentos e com um bom equipamento se resolve.

A2 – Além do ex-namorado campeão o irmão dela que é o melhor amigo dele é também campeão só que na categoria peso pesado. Aqui além do equipamento e do conhecimento você vai precisar de um “seg” de confiança e experiente.

A3 – Esqueça o irmão e o ex-namorado, nesta graduação a via é agente da polícia federal ou da ABIN e possui 2 ex-namorados que se mudaram do país após o fim do relacionamento.

A4 - A via tem o irmão campeão de vale-tudo, o pai é capitão do BOPE, ela é agente da polícia federal e treina um pouco de tiro ao alvo, é um pouco ciumenta e já colocou em coma 1 namorado só por que ele foi levar uma prima no aeroporto.

A5 – A via é casada com um cara que cumpriu 6 anos de prisão por homicídio e seu último caso faz xixi sentado desde o dia em que ela o pegou lendo uma playboy no banheiro.


Leia mais:
Tabela de graduação por AVPAF - 1º parte
Tabela de graduação por AVPAF - 2º parte
Tabela de graduação por AVPAF - 3º parte

Tabela de graduação por AVPAF - 3º parte


Boulder

Estilo democrático de escalada que exige pouco equipamento, mas muita força e disposição. Os locais para essa prática são conhecidos pelas inúmeras possibilidades de abertura de novos “problemas” em um mesmo bloco. Vejamos como se dá a graduação dos problemas.

V0 - Boulder tranqüilo que exige do escalador tomar um banho, passar perfume e ficar conversando em baixo do prédio ou na porta de casa da mina por horas a fio.

V1 – Exige além do banho e do perfume um cineminha de “comédia romântica” com direito a pipoca.

V2 – Pegou o carro do pai, buscou em casa e após o cinema com pipoca, pagou o fast food e levou em casa. Resolvido!!!

V3 – Colocou roupa nova, pegou o carro, buscou em casa com um bichinho de pelúcia, levou no cinema com direito a pipoca, jantarzinho e levou em casa. Mandou à vista!!!

V4 – Colocou roupa nova, mandou lavar o carro, buscou em casa com bichinho de pelúcia, levou ao cinema com direito a pipoca e guloseimas, levou pra curtir um boteco com música ao vivo, pagou bebidas e petiscos e levou em casa do outro lado da cidade.

V5 – Colocou roupa nova, mandou lavar o carro, buscou em casa com bichinho de pelúcia, levou ao cinema com direito a pipoca e guloseimas, foi no boteco com música ao vivo, pediu pra tocar aquela música do Djavan, pagou bebidas e petiscos e levou em casa do outro lado da cidade.

V6 - Chegou de terno, levou pro cinema, pagou um jantar chique, levou no motel 5 estrelas com direito a champanhe, levou em casa no outro município.

V7 – Esqueça o cinema. Esse problema só é resolvido em ambientes mais áridos como baladas em boates e clubes caríssimos. Além de pagar mais de R$ 50 pra entrar, esse problema exigirá de você habilidades de dançarino de ritmos que você desconhece. O trabalho de pés aqui é fundamental.

V8 – Esse é aquele boulder que a saída é o mais difícil. Vai ter que ir em casa e convencer o pai da moça (militar de alta patente) sobre suas intenções mesmo que vocês estejam saindo pela primeira vez. Depois disso é claro que ela vai exigir uma balada estilo V7. Kamommmm!!!!

V9 – Além de convencer o pai da moça vai ter que levar a irmã mocréia que nem um de seus amigos terá a compaixão de resolver. Atenção na “seg” de corpo que a base é perigosa.

V10 – Esse problema para ser resolvido exigirá o convencimento do pai, levar a irmã feia e a prima bêbada pagar bebida e entrada pra todo mundo na balada estilo V7 e dançar a noite toda. Mas nem pense que vai virar fácil esse boulder. Ele exigirá pelo menos 5 entradas desse tipo.

V11 – Aqui se inicia a fase de ter que malhar por longos períodos até mandar o projeto. O comprometimento do escalador em mandar o projeto exigirá tudo o que ele sabe. Começa com todos os passos anteriores e no dia seguinte você manda flores e escreve um depoimento no orkut.
– Vai que você está sólido!!!

V12 – Após meses repetindo a seqüência acima, você vai ter que pedir em namoro, freqüentar a casa e agüentar aquela amiga chata e fútil com apelido de “Lú” (geralmente um nome tipo Lusinelda).

V13 – Você já está namorando, já fez tudo o que sabia e por fim surge aquele convite na mesa do almoço da família do problema:
- Você vai participar do amigo oculto esse ano, não é!?

V14 – Além de participar do amigo oculto, você vai começar a participar de momentos familiares tipo batizado de priminho distante, pelada casados X solteiros, aniversário de 80 da bisavó, etc. Tudo isso com aquele sorriso na cara e sem poder exagerar na bebida alcoólica.

V15 – Esse aqui pra resolver só casando de papel passado.


Leia mais:
Tabela de graduação por AVPAF - 1º parte
Tabela de graduação por AVPAF - 2º parte

Tabela de graduação por AVPAF - 2º parte


Escalada Tradicional

Estilo de escalada mais conhecido e romântico. Exige preparo, mas acima de tudo planejamento. Todos os elementos são determinantes no sucesso dessa escalada no final a vista costuma justificar todo o esforço. A graduação é uma mescla da esportiva acrescida do grau de exposição ao risco. Em uma escalada tradicional cada cordada pode corresponder a uma via esportiva.

E1 – Amigo, irmã, mãe e tia faltam te forçar a entrar na via. Com tanta proteção desestimula a escalada por que não tem exposição a risco nenhum.

E2 – Você confia no “seg”, acredita que a via está no seu grau, mas no meio da escalada tem aquela cordada que é um pouco mais exigente, tipo ir conhecer a família da moça com menos de uma semana de relacionamento.

E4 - O esticão entre as proteções e a falta de agarras exige do escalador atenção porque se cair pode machucar sério. O “seg” desempenha um papel fundamental no apoio psicológico do escalador. Essas vias têm elementos determinantes no risco como um pai militar ou um irmão campeão de vale-tudo.

E5 – Uma queda aqui pode sobrecarregar toda a parada e levar o seg junto. É aquela via ciumenta que chega no bar e vira a mesa em cima de você e dos amigos.

E6 - Uma queda aqui ou mata ou faz o cara parar de escalar. Essa via geralmente tem em seu currículos 3 ou 4 ex-maridos e nem todos estão vivos para contar história. Conhecida também por atingir o escalador com objetos cortantes inviabilizando sua reprodução.


Leia mais:
Tabela de graduação por AVPAF - 1º parte
Tabela de graduação por AVPAF - 2º parte
Tabela de graduação por AVPAF - 3º parte

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tabela de graduação por AVPAF!!!

Mais uma vez o AVPAF vem colaborar com a construção da escalada no Brasil. O texto abaixo é uma aproximação da graduação em escaladas esportivas, tradicionais, "artificial" e boulder, com a dificuldade de conquistar aquela gata sonhada.

A comparação é inevitável porque para um escalador de verdade uma bela mulher é como uma grande escalada: você planeja, treina muito, muda de hábitos, compra equipamentos, vai a lugares inusitados e de difícil acesso em busca dela e pode passar meses tentando encadená-la. Ela por sua vez parece uma pedra – não olha pra você, não se mexe em sua direção, exige do seu físico e psicológico e se você não se cuidar ela vai te machucar.

Escalada esportiva

É aquela que todo mundo acha que a altura na assusta, mas que exige muito da resistência, força e psicológico do escalador. O trajeto é mais importante que o cume e encadenar uma via pode demorar minutos, horas, dias ou até mesmo anos dependendo do seu projeto de vida.

- É aquela via pro escalador iniciante que chega, encadena e não conta pra ninguém pra não ser sacaneado. Mesmo assim para quem esta começando deixa aquela sensação de vitória.

- É a via que você nem sabe o que te levou até a base, mas você chega e se encadenar a vista ainda comemora no final.

- Geralmente aquela via gente boa e amiga da galera. O papo justifica mais que a aparência. Via que você vai encadenar e gastar tudo o que sabe para limpar com direito a rapel com prussik.
6º sup – Além de simpática e amiga da galera é considerada bonitinha ou "estilosa". O crux se justifica mais pelo medo de perder a amizade que pela dificuldade da via. Costuma dar bastante trabalho pra limpar como costuras travando e penduladas perigosas.

7a – O alvo inicial de todo escalador que acha que está fortinho. O cara olha mal no croqui e acha que já vai chegar encadenando a vista esteja onde estiver. Costuma derrubar feio o escalador, mas malhando um pouco rola de encadenar.
7b - Via que geralmente exige umas 10 tentativas antes de ser encadenada. Exige atenção do amigo "seg" porque dependendo da queda inviabiliza a cadena para sempre porque traumatiza o escalador.
7c – Esse é o tipo de via lendária. Todo mundo acha bonita e tem sempre um amigo mentiroso que conta que um dia, no passado ele encadenou. Essa mentira prosseguirá porque ninguém perguntará a via se é verdade ou não. Como não tirou foto, não filmou não rola de acreditar. Lembre-se ainda: o seg que estava com ele também é escalador, ou seja, também poderá mentir para manter a honra do esporte.

8a – O tamanho das agarras costuma enganar (geralmente grandes abaulados). Essa é aquela via que você vai chegar achando que mesmo com quedas rola de equipar até o fim e descer de "baldinho". Engano seu! Vai chegar "tijolado" na terceira proteção, suar pra cacete e rapelar do cordelete ou abandonar um mosquetão no meio da via.

9a- É aquela via que você já tentou o primeiro movimento de top rope, seus amigos também tentaram e ninguém passou da primeira proteção. Aliás, ninguém que você conhece encadenou. Geralmente esse tipo de via gera lendas como "um dia veio um cara de minas aqui e mandou a vista" o que é pura mentira.

10a – Nem você nem seus amigos se aventuram nesse tipo. São vias conhecidas por terem sua primeira ascensão e permanecerem meses e até anos esperando que venha algum escalador de outro lugar para encadenar e confirmar o grau. Costuma-se dizer que essa via escolhe o escalador e não o contrário.

11a - Essa é aquela via que já foi citada em revistas do ramo e já teve duas ou 3 ascensões no máximo. Todos os relatos dos "encadenadores" chamam atenção para a dificuldade e exigência da via, mas sempre terminam com a frase " a via mais linda que eu já escalei". Costuma virar pôster ou porta retrato na casa do escalador.


Leia mais:
Tabela de graduação por AVPAF - 2º parte
Tabela de graduação por AVPAF - 3º parte