segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vias de Cocal no domingão

Pois é...

Depois de rolar aquela indecisão de ir ou não, bem como pra onde ir no nosso final de semana de climb, optamos (Pati, Esdras, Fera, Marcelão, eu e o Gil - mais novo integrante do bonde AVPAF), por escalar umas vias em Cocalzinho.

Nota: Fomos em dois carros, sendo que Marcelo e Gil saíram direto de Águas Claras e os demais partiram do Bandeirante. como não poderia faltar um ato de "zelisse" de algum de nós, quando chegamos na altura de Águas Lindas, vejo o Fera com cara de quem fez merda. Ao perguntar o que houve, ele me responde que "só esqueci a cadeirinha". Ou seja, Ai que burro!! dá zero pra ele!! - Continuando...

Acabou que fomos conhecer a Motosserra (um 7b "curo e grosso" pra eu matar a saudade de vias negativas) e a Alegria-Alegria (um 5º idela pra Pati equipar e o Fera aprender a guiar). Depois optamos por subir e entrar na Rolling Stones (só pra fazer aquele começo escroto dela)

Entrei sacando na Motoserra e acabei parando na saída pra última costura, com os braços completamente tijolados, depois de ter aumentado minha envergadura em uns 3 cm, de tanto que tive que me esticar pra equipar a 2ª proteção.
O Gil fez a mesma coisa (ficando na passagem pra última), aproveitando pra "reconhecer" a famosa pedra de Cocal. O Marcelão entrou meio adrenado e acabou caindo umas 2 vezes na passagem pra 3ª. Depois entrou de novo e encadenou, já desequipando a via, sob a ameaça de uma chuva, que não se concretizou. O mais impressionante foi a Pati, que caiu no mesmo lugar que eu... (a porra da via é um 7B e a mina atropelou... nem deu tempo pro Fera tirar foto!). Depois de "desbombar" os braços, ela fez a passagem e costurou a última (até a 3ª ela foi de Top, porque tava dizendo que estava se sentindo "fraca").

Subimos novamente para o estacionamento e consegui isolar o move (agora sei como fazer) da Rolling, mas aquele bidedo invertido no teto machuca muito... depois de conseguir achar o movimento e ficar no bidedo, desisti de continuar, pq já tava sentido os tendões.

Mas volto a frisar... fiquei de cara com a Pati!

O Esdras entrou de top (da mesma forma que ela) e adrenou, qdo viu que podia pendular lá na árvore se caísse hehehe. Isso depois de ter tomado um pau dos marimbondos na Alegria-Alegria... O esperto entrou pra equipar e "amassou" a casa dos bichos com a mão. Não satisfeito, tocou pra cima, armou o top e, na hora de descer, pisou na porra da casa dos bichos de novo!!!
Saiu de lá todo picado e dizendo "que nada, parece até picada de pernilongo, nem dói". Fica a minha pergunta pra ele agora: E aí, juventude, tá doendo?? hehehehe

Pati = Parabéns! destruiu e vai entrar na Motosserra comigo de novo, qdo voltarmos lá! Araxá que te aguarde!
Gil = Bem vindo ao Bonde AVPAF! Todo final de semana tem alguma piad... ops, escalada parecida!
Fera = Ainda não foi dessa vez que vc guiou, mas aprende a arrumar a mochila com o básico pra fazê-lo! hehe
Marcelo = Muito bacana nos apresentar as vias e valeu a cadena! (agora a gente tem certeza que rolou!)
Esdras = zum, zum... continue a patrocinar a nossa "Patibull", tá dando resultado! zum.. zum...
Eu = Deixa de ser bundão e aprende a fazer força, porra! Perder a cadena sacando por falta de força é foda!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Diario de um brasiliense - 3º e 4º dia

Data estrelar: 7/Fev/2010

Burro, burro e burro!

Bem galera, foi isso que eu falei quando saí da segunda via, a semi-final. Vou fazer um apunhado geral do campeonato.

Não cheguei às finais pois fui desclassificado da segunda via. Fiz a burrice de fazer o "Z-clip" (custurei a segunda custura com a corda que tava antes da primeira, entenderam?), e quando percebi desescalei (2 agarras) pra 'melhor' agarra pra poder arrumar a costura, mas fui desclassificado por causa de uma regrinha idiota que diz que não pode desescalar. SÓ ISSO!!

Com relação ao campeonato em si, EU (eu disse EEEU) achei muito bagunçado (pelo menos o primeiro dia, que foi o único que fui). Parecia muito mais um festival, só que cada um entrava só em 2 vias. As entradas foram em FLASH!! Tudo mundo via todo mundo. Não existia área de isolamento como normalmente acontece em campeonatos, onde todos os atletas são retirados da área de escalada. Os que escalavam depois tinham a vantagem de ter leituras diversas pra via, principalmente os que escalaram depois do monstro Filipe Camargo (o que não foi meu caso). Acho que no fim, foi ele mesmo quem ganhou.

Com relação ao monstro, quero deixar aqui meus Parabéns e ele (calma que não foi o aniversário dele!), que se mostrou uma pessoa muito humilde, independente de ser reconhecido nacionalmente como um dos melhores do Brasil. Chegou na academia e cumprimentou TODOS, sem exceção. Troquei uma idéia com ele, e o mesmo me falou sobre as sapatilhas da Evolv. Disse que só perdem pra La Esportiva. Ótima opção pra nós brasileiros que queremos uma sapata BOA mas num preço acessível (já tem lojas vendendo Evolv). Além de ter dito que está afim de voltar a Brasília pra escalar, então vamo treinar MUITO pra poder acompanhar o mlk!

Em resumo, e pra não demorar muito, o campeonato foi bom no quesito horário, mas meio zoado no quesito regras. Coisas bobas, mas que eles dizem ser 'que nem na gringa'. Infelizmente eu estava sozinho então não podia argumentar muito. Outra coisa, sejam todos humildes, assim como o "Pikuira". Não sejam burros, assim como eu! No fim, como experiência, foi ótimo. Mas mudei meu foco de escalada: A pedra dá muito mais alegria e tem muito menos regras! (Logo mais, fotos!)

Foi mal e Abraços
Câmbio, Desligo.

Leia aqui o primeiro dia para entender tudo!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Diário de um brasiliense / brasileiro - 2º dia

Data estrelar: 5 / Fev / 2010

Fala galera! Bom, de ontem pra hoje nada mudou muito. A cidade continua quente pra caramba... (...lembre-se você poderia estar num frio de junho se lascando.) Tudo bem tudo bem, o calor é bom, mas precisava ser esse inferno!?!?
Ta sendo difícil de acreditar que eu vou participar de um campeonato brasileiro em menos de 24hrs! O frio na barriga aumenta a cada hora. Mas eu não posso esquecer, repitam comigo: Calma, concentração e respiração. O que tinha que treinar já treinei, agora é só mostrar pra esses rapazinhos o que Brasília tem de melhor!
Vou aproveitar esse campeonato pra fazer umas compras aqui em Curitiba. Tem lojas muito boas. Pra quem mora em Brasília, essas lojas tem tudo!
Agora vou relaxar, descansar e me alimentar com muito carboidrato pra amanhã estar ótimo na hora!

Abraços
Câmbio, desligo.

Leia aqui o primeiro dia para entender tudo!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Notícias do Campeonato Brasileiro de Escalada – Curitiba-PR.

Dando um tempo a Júnior (nosso ilustre personagem) que se prepara para conquistar sua via mais difícil aproveitamos para enviar notícias da Etapa do Campeonato Brasileiro de Escalada, também Seletiva para a Seleção Juvenil de Escalada, que será realizado esse fim de semana em Curitiba-PR.
Brasília tem o orgulho de participar desta iniciativa enviando seu representante ao Campeonato. Trata-se do atleta Matheus Farage, pequeno
padawan, magrelo e com fortes tendões que vem sendo treinado pelo Prof. Rodrigo (Bêra) no Muro da IBITI. O atleta representará a Associação Brasiliense de Escalada e Montanhismo – ABRESCA e tem o patrocínio AVPAF (na forma de festa quando ele retornar).
Matheus além de competidor será nosso correspondente direto de Curitiba de onde mandará mensagens para que noss@s leitor@s compartilhem de seus momentos como estreante em competições.

Diário de um brasiliense / brasileiro - 1º dia


Data estrelar: 4 / Fev / 2010
Fala pessoal! É com extrema felicidade que escrevo daqui de Curitiba para todos vocês.
Primeiramente gostaria de dizer que essa cidade está parecendo o INFERNO, só falta o lúcifer! Tá quente demaaais! O calor de Agosto de Brasília não ta sendo páreo para o que estou passando aqui. Nesse primeiro texto eu só gostaria de agradecer a todos por terem me pilhado para chegar onde estou, desde o dia em que comecei até hoje enquanto escrevo isso. Espero então representar Brasília muito bem, afinal, ser o único representante (ou talvez o único que correu atrás) não é fácil. Espero mantê-los cientes do que acontece aqui, pois como todos sabem, informação "escaladista" não é tão boa, tirando o pessoal do AVPAF (preciso bajular eles se não meu texto não entra no Blog!).
O campeonato é só depois de amanhã, mas a ansiedade está desde o dia em que descobri que iria rolar!!
Manterei todos informados.
Abração
Câmbio, desligo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Baseado em fatos reais 4 – Capítulo II – (Você Decide)

Em meio ao som alto e tanta gente, Júnior não conseguia uma aproximação direta. Ele então chama o Prof. Bêra no canto e fala baixinho.

[Júnior] Aê Bêra posso pedir um favor de brother? Mas é sigiloso.
[Bêra] Claro rapaz, diz aê.
[Júnior] Deixa eu treinar com essa mina ai. Tipo ficar dando a "seg" dela, entrar nos mesmos boulders... Quebra essa pra mim? Tô na seca fii.
[Bêra] Hahaha. Vou quebrar seu galho porque eu gosto de você. Mas aê se prepara então pq tu já treinou hoje. Vai acabar se lesionando!
[Júnior] Nem esquenta. Valeu leke, brigadão. Quando eu tiver um filho tu vai ser o padrinho hehehehe
[Bêra] Não exagera. Aê Dalila, o Júnior vai fazer o mesmo treino que você, é bom que ele te dá uma seg porque eu tenho dois alunos novos aqui. Pode ser?
[Dalila] Sem problema! Já terminei o aquecimento passa o boulder aê. Como é mesmo seu nome?
[Júnior] É Júnior, mas pode me chamar de Sharminha!
[Dalila] hahahaha! Você até sabe fazer piadas, quero ver escalar!
[Júnior] (Vou passar uns mais ou menos para ela não mandar e eu atropelar e fazer meu filme). Tem esse aqui. Sai sentado, aqui, aqui, ali, pinça, abaulado e o chifre no teto.
[Dalila] Beleza. Vou entrar!
[Júnior] Vai que eu estou na seg.
[Dalila] Só isso.

A cada boulder que passava Júnior além de mais encantado ficava mais assustado. A mina mandava todos os seus boulders à vista e ainda por cima entendia muito de música, já havia viajado o Brasil escalando e até no Valle Encantado-Argentina. Já ficando sem palavras e sem repertório de boulders ele se lembra de um boulder sinistro que nem ele nem os marmanjos do seu horário mandaram.

[Júnior] Aê tenho um especial pra você, mas se prepara que é bem forte.
[Dalila] Até que enfim, eu já tava ficando enjoada dessa moleza.
[Júnior] Aqui. Sai sentado com esse único pé e essa mão, abauladão, monodedo, regletinho, batente, bidedo, aresta e termina no teto do outro lado da pilastra.
[Dalila] Esse tá bem legal. Você mandou?
[Júnior] (que na verdade não fez nem a saída): Quase. Cai ali na aresta, mas eu já tava de final no treino de resistência.
[Dalila] Sei, tá cheio de desculpa. Quer apostar que eu mando?
[Júnior] Carai véi, cadê a humildade?
[Dalila] Estou brincando! Mas aposto que você não manda.
[Júnior] O que é que eu ganho se mandar?
[Dalila] Além da lesão? Uhauhauhauhahua
[Júnior] Fala sério. Vamos fazer o seguinte: Se eu mandar você vai ter que desistir de ir para Cocalzinho amanhã a noite.
[Dalila] Oxi? O quê que tem a ver?
[Júnior] Simples. Se eu mandar amanhã à noite você sai comigo.
[Dalila] E se você não mandar e eu mandar?
[Júnior] Eu mesmo te levo para Cocal no meu carro, banco a gasolina e ainda levo lanche para você.
[Dalila] Propostinha sem vergonha essa sua, mas eu topo. Vai ser ótimo ir de motorista até Cocal e com comida grátis.

Júnior se posiciona; se ergue tremendo e já sentindo o cotovelo, tapa no abaulado, força, suor. A galera em volta gritando kamoonnn!!! Vai leke! Ele pega no monodedo! Engole o choro! Trava no reglete, sobe o pé, alcança o batente. Sólido! Vai leke que já é seu!!! Dinâmico para o bidedo! Tá quase lá! Chega na Aresta. Deixa o corpo cair de lado! Trava e vai, vai, vai... E o inevitável acontece. Queda!!! Dor, revolta, humilhação.
Dalila dá um tapinha nas costas dele e pede a seg. Ela se posiciona e se ergue bem, tapa do abaulado, um sorriso. Pega no monodedo. A galera de boca aberta nem grita. Faz um "foot hook" alcança o reglete e trava. A galera vai à loucura! Gritos de Kamonnn!!! Vai, vai, vai... Meu Deus que mina forte. Chega ao Batente, dinâmico pro bidedo. E como num passe de mágica ela cai sobre os braços de Júnior.

[Dalila] Droga, errei o bidedo, viajei. Merda!!!
[Júnior] Nem estressa você fez a melhor entrada que eu já vi nesse boulder. Ninguém fez esse foot ali. Sua leitura é perfeita.
[Dalila] Se fosse perfeita eu tinha mandado.
[Júnior] Calma ai, não chora não! Você tá parecendo o Patxi Usobiaga hehehe!!! Escalada é diversão! Você é muito competitiva.
[Dalila] Você tem razão, ando meio "psica*". Mas e a nossa aposta, ninguém ganhou.
[Júnior] Pois é. Mas vou valorizar sua entrada. Amanhã podemos ir junto para Cocalzinho, mas o rango você compra.
[Dalila] Fechado, vou avisar a minha galera.


Momento "Você Decide" do AVPAF

Caro leitor(a) o AVPAF inaugura um novo momento na vida de Júnior onde você decide o destino de nosso infante escalador. O momento é crítico, Júnior investiu toda sedução que conhecia e cabe a Dalila a decisão seguinte. A pergunta é inevitável: - Dalila deve ou não ficar com Júnior em seu primeiro encontro?

(a) Dalila não deve ficar com Júnior nesse "encontro" e em nenhum outro, pois o mesmo demonstrou não ser um escalador forte a sua altura e ela já enxerga seu futuro equipando vias e abrindo boulders de grau inferior para ele poder escalar.

(b) Dalila não deve ficar com Júnior neste momento, afinal bate e volta em Cocalzinho não é um encontro decente e escalador que é escalador gosta de dificuldades e perde o interesse se mandar à vista. Ela deve se fazer de difícil!!!

(c) Dalila deve ficar com Júnior e dar vazão à sua energia juvenil, a seus impulsos hormonais feministas e revolucionários afinal um bom partido como Júnior não se encontra a qualquer hora.


Você escolhe o final votando nos comentários!!!


*Psica = Estado mental semelhante a mania ou transtorno obsessivo onde o escalador fica fissurado em mandar tudo o que vê.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Baseado em fatos reais 4 – Capítulo I – (Minissérie em 4 capítulos)

Júnior é um jovem muito ativo que toda hora inventava um esporte novo e dessa vez ele estava realmente ligado a escalada em rocha. Mesmo seus pais não vendo a menor razão para alguém viajar para longe, dormir em barracas e ainda por cima se machucar inteiro subindo em pedras, ele seguia escalando, andando em corda bamba e malhando como um louco.
Júnior deixou de fumar cigarros, emagreceu e parece mais feliz e disposto, além de seu corpo ter ficado mais definido. Tudo ia bem até que todo mundo começou a questioná-lo sobre namoradas. No início ele nem ligava, mas aquilo já estava passando dos limites.
No carro a caminho do almoço de domingo na casa de sua avó paterna o pai resolve puxar conversa.

[Pai] –Júnior, que bom que você abriu mão de escalar esse fim de semana para visitar sua avó. Estou muito feliz por isso.
[Junior] –Qual é pai?! Eu sou um cara família, mas a escalada vem me consumindo mesmo. Só vim hoje porque tô lesionado.
[Mãe] –Pois é meu filho desse jeito não sobra tempo nem pra você se divertir e namorar. Meu bebê já está na idade de dar início a algum relacionamento que leve a um casamento. Não acha?
[Junior] –Pô mãe, escalada é a minha diversão e nem estou afim de namorar nesse período não. Não quero ninguém regulando meus horários ou cobrando minha presença. Vamos mudar de assunto. Qual vai ser o rango na Vó?
[Pai] –Seus tios todos estão lá, vai ter churrasco, galinhada, feijoada e um pernilzinho na brasa.
[Júnior] – Carai véi, é um almoço ou um campo de concentração? Só morte e sangue animal inocente. Vou ficar só na salada mesmo.
[Pai] –Pelo amor de Deus. Você pode até comer só salada, mas faz isso escondido e toma pelo menos um copo de cerveja perto dos seus tios para ninguém desconfiar que tu é assim meio fresco.
[Junior] –Porra de meio fresco. Eu só não me destruo como vocês, mas não sou menos homem por isso.

Chegam na casa da avó e o churrasco já acontece na beira da piscina, os tios resolvem puxar papo com Junior.

[Tio 1] –Eae Júnior? Quanto tempo ? Tá magrinho hein?
[Tio 2] –Prova essa picanha pingando?
[Tio 3] –Qual vai ser Juninho: uísque, vodka ou cervejinha mesmo?
[Junior] –Tem uma coca zero ai?
[Tio 1] –Como é que é? Aqui nessa casa homem só bebe álcool. Que papo de baitola é esse?
[Pai] –Nada, ele está querendo levar uma coca zero pra mãe, ela anda de regime. Sabe como é? Deixa que eu levo Júnior. Toma sua cerveja em paz.
[Junior] –Hãn?! Ah tá. Passa uma cerveja ai então.

O que Junior não faz pra deixar seu pai feliz? Duas horas, cinco latinhas de cerveja e alguns pedacinhos de carne depois.

[Tio 1] –E então Júnior? Como é que vai a mulherada? Pegando geral ou tá namorando?

Já bêbado, Junior começa a abrir seus sentimentos para a família.

[Junior] –Pow tio ando meio devagar. Vez ou outra rola alguma coisa, mas por enquanto só no papo da internet mesmo.
[Tio 2] –Porra na tua idade eu já tinha 2 filhos. Você faz o que dá vida?
[Junior] –Além de ganhar mais dinheiro que você, eu escalo em rochas, vivo por ai, viajando, conhecendo o mundo e levando uma vida saudável.
[Tio 3] –Mas não há nada mais saudável para um jovem do que ter uma vida sexual ativa. Pense nisso.
[Pai] –É isso ai. Eu vivo falando isso pra ele. Um dia desses achei até que ele ainda era virgem.
[Tios] –hahahahahahahahaha!!!
[Mãe] –É mesmo. Desse jeito vou ter que esperar a Maria para me dar netos, pois desse mato ai acho que não sai nada .
[Tias] –kkkkk!!!
[Tio 2] –Já sei por que você escala. Por que está subindo pelas paredes!!!

Todos começaram a rir sem parar.

[Tio 1] –Tá se acabando na mão, eu vejo os calos daqui!!!

Mais algumas risadas exaltadas da família e Júnior volta calado, triste e abatido para casa. Com dor de cabeça da ressaca alcoólica e moral, afinal tinha quebrado sua dieta de proteinas magras. Junior também estava triste por se sentir sozinho e por ter sido motivo de chacota. Segunda feira na academia de escalada onde treina, Júnior busca compreensão nos amigos.

[Júnior] –Carai véi minha família é foda! Entrou numas de me pressionar para namorar. Fiquei deprimido esse fim de semana.
[Mosca] –Puts se fosse eu ia aproveitar pra pegar o carro do coroa e pedir grana com a desculpa de conquistar uma mina. Diz aê leke?!!
[Júnior] –Mosca deixa de ser mané. Eu trabalho, tenho meu carro e minha grana. Não sou zela assim não. O pior é que eles têm razão, estou na seca mesmo. Preciso de uma mina.
[Mosca] –Falando em mina, você já conheceu a princesa que escala aqui no muro no horário mais tarde?
[Júnior] –Não? Qual é?
[Mosca] –Meu Deus. É maravilhosa! Hajjaaaaa Coraçããoo!!! Vale a pena ver de novo!!!
[Júnior] –Vou ficar aqui até mais tarde então, mesmo o professor pagando sapo para eu ir embora.
[Mosca] –Se consagra Júnior! Aquela ali se você pegar é pra casar. A mina é gata mor!!!

Júnior esse dia aliviou o treinou e até esqueceu a lesão no cotovelo. Quando acabou seu horário, foi ao vestiário, lavou a mão, limpou o sovaco, revisou o desodorante e ficou fazendo cara de quem acabara de chegar. De repente ela adentra ao muro, o nome dela é Dalila, quase igual ao nome daquela escaladora famosa Daila Ojeda. Vem em meio ao cheiro de chulé, suor e magnésio e a gladiadores pendurados nas paredes. Calça colada, blusinha e trança no cabelo. Sapatilha e saquinho de magnésio na mão. Seu corpo dispensava comentários, milimetricamente esculpido por anos de escalada, tudo era músculo, tendão e beleza.

[Dalila] –Qual é Bêra? Qual vai ser o treino hoje?
[Bêra] –Faz quatro entradas de seis minutos pra aquecer que vou te passar uns boulders.
[Dalila] –Beleza. Mas aê, vou pegar leve porque amanhã vou fazer um "night climbing" em Cocal*.

Neste momento Júnior sentiu as mãos suarem, o coração palpitar, as pernas tremerem como se estivesse no crux da via mais forte da sua vida. No som da academia Bob Marley cantava: "Is this love, Is this love that I'm feeling?".

Continua…

*Cocalzinho-Go localiza-se a aproximadamente 120km de Brasília e possui um grande potencial para a prática de boulder e escalada esportiva. Escalar à noite neste local é um hábito comum dos escaladores brasilienses e goianos.


Para conhecer mais sobre a vida e os sofrimentos de Júnior leia também:
Baseado em fatos reais 1
Baseado em fatos reais 2
Baseado em fatos reais 3

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Mulheres que amamos!

Diretamente do Leste Europeu o blog AVPAF apresenta a eslovena Maja Vidmar.