sábado, 19 de setembro de 2009

Desce, desce, desce rápido!

O telefone toca, olho rapidamente no relógio, são 7 da manhã, atendo em tom raivoso:
–Alô!
O Esdras do outro lado diz:
–E ae “leke” vamos escalar? Você viu que choveu a noite toda pra caralho, né?
–Vi Esdras, pra que você esta me ligando agora? Não combinamos 7h30?
–Então, liga pro Rodolfo para ver se choveu em Sobradinho.
–Ta “vei”, vou pensar nisso.
Ligo para o Rodolfo:
–E ae Rodolfo choveu ai?
–Não sei!
–Caralho muleke, que sono pesado da porra.
– “Vei” vou ver aqui e te ligo.
–Beleza!
Espero a ligação do Rodolfo e finalmente o telefone toca (cinco minutos depois):
–Pô “vei” ta tudo seco aqui e o cumulus nimbus está limpo.
Fico pensando que porra de “cumulus nimbus”, mas retransmito a mensagem para acalmar a ansiedade do Esdras, que responde:
–Então é nóis “leke”.
O Júlio passa aqui, pegamos o Esdras e de lá rumamos para o Lago Norte para podermos pegar nossa nova amiga Rebekka, alemã, recém chegada na capital, que começou a treinar na Ibiti há umas três semana e vez a besteira de aceitar o convite para essa barca furada para a pedra. Na casa do Rodolfo trocamos de carro e seguimos para pegar a estradinha de terra, ou seria de poeira. Fico pensando na pobre Rebekka em um carro com quatro marmajos, que ela viu uma vez na vida em uma mesa de boteco. Acho que ela só aceitou porque a Grazi estava na mesa e sugeriu dela ir escalar com a gente. Eu achava que a Grazi tinha juízo.
Na porta de Seu Valdemar (dono da Fercal) vemos o já tradicional grupo de motoqueiros e um grupo de “rapeleiros” então sugiro rapidamente junto com alguém:
–Vamos logo! Que eles vão para a Corpos e a Libélula.
Apertamos o passo e chegamos na base da duas vias antes. Candidato-me a subir primeiro na Libélula para poder tirar umas fotos e ajudar nossa amiga Rebekka lá em cima com os procedimentos, pois, a idéia inicial é escalar a via Sem Noção, 6sup, e malhar a via Mestre dos Magos, 7b. O Julio impaciente resolver ir lá pra cima fazendo o caminho da "escalaminhada", junto com o Esdras e escalar a Trafego Aéreo, 6º.
Antes os dois protagonizam uma cena ridícula, empolgados com o “clip stick” novo tentam sem sucesso equipar a primeira chapeleta da Libélula. Até mesmo os “rapeleiros” acharam graça daquela cena.

Já em cima da Libélula escuto o Julio gritar:
–Desce, desce, desce rápido!
Espero algum tempo e pergunto:
–Esta tudo bem?
Escuto uma resposta positiva. E já imagino que tenham sido abelhas, mas para não assustar o pessoal que está em baixo e a Rebekka que está na via, deixo os dois se virarem.

A Rebekka e quase que içada por mim e pelo Rodolfo e chega aos “trancos e barrancos” na parte de cima da Libélula. O Rodolfo começa a subir e também chega ao final da via acabado. Depois de pagar alguns sapos pra ele, pergunto:
–O que foi Rodolfo?
–Cara estou acabado, acho que vou embora.

Depois do Rodolfo se recuperar, terminei de desequipar a via e chegamos a base da via Sem Noção...

...continua.

5 comentários:

Esdras Daniel disse...

Sete da manhã nada , eu mandei mensagem às 06:17 porque eu estava ansioso demais. Ah se eu soubesse o desenrolar da história nunca teria acordado tão cedo hehehe.

Alvaro Alvares disse...

Graças a Deus eu não ouvi essa mensagem e só fui ser acordado a 7h com seu telefonema.

Rodolfo disse...

Ótimo post...
Adoreio o "...continua."
Minha cabeça dói...

Júlio Sá disse...

Não só eu ouvi essa msg, como tive o desprazer de lê-la...
Até hoje estou zumbindo! hehehe
Mas isso é uma outra parte da história...

Grazi disse...

Ei ei... a Grazi tem juízo sim. Eu não sabia é que vcs iam levar a Rebekka tão rápido pras encrencas... rs... senão eu a teria preparado psicológicamente... :P