domingo, 13 de fevereiro de 2011

Relato e reflexão




Antes de mais nada, este é um post filosófico de um iniciante, repito. Não narro e talvez nunca narrarei grandes vias ou boulders em termos de graduação, mas aprendi a valorizar cada emoção de cada boulder mandado, de cada movimento aprendido, de cada via terminada até o fim mesmo que de top rope. Sou um cara que busca apenas sua própria superação e não tenho vergonha de dizer: - Minha companheira escala mais grau do que eu hehehe.
Esse blog sempre significou para mim o relato de aventuras de um iniciante em uma prática esportiva chamada escalada, aqui gastei parte da minha criatividade em escrever (que não é muita) sobre um esporte. Um esporte simples, primitivo mas que é capaz de causar uma mudança de vida em que passa a ser aficionado por ele. Depois que eu comecei a escalar fui levado a viver grandes descobertas, técnicas, culturas, lugares incríveis, a lidar com o fracasso e saborear as pequenas vitórias, sempre ao lado de grandes amigos e partilhando dessa paixão com a minha esposa, tudo isso em apenas 02 anos. Sim, apesar de apenas 28 (quase) anos sou casado e tenho a grande sorte de escalar com minha companheira.
Esse fim de semana, contrariando a preguiça e o tempo nublado (que tornou-se chuva já no caminho), percorri os tradicionais 120km até Cocalzinho-GO para escalar boulder. Quem me conhece sabe que eu não tenho uma Land Rover capaz de transpor facilmente a pirambeira da estrada do pseudo-parque dos Pirineus e que com esta chuva a estrada torna-se um castigo pro meu carrinho ainda não pago.Porém eu fui até lá. Escalei apenas 3 problemas não superiores a V2 e de repente a chuva desabou.
Já sob o teto da Casa da Cobra ficamos eu e Pati, conversando com Cintia (GO), Zé Roberto e um casal de Goiânia que eu nunca lembro nome, mas que já encontrei em Araxá-GO (desculpa a falta de educação de falar de vocês aqui e nem colocar o nome). Papo vai e papo vem, Eu e Pati decidimos partir na chuva mesmo e voltar para casa, afinal não haveria mais escaladas naquele dia.
Zé Roberto estava ali desde terça feira, bivacando ou acampando, com uma bicicleta, um crash um hallbag e uma mochila e no bate papo ele pergunta se estamos sozinhos e se o carro tava vazio. Resultado, Zé Roberto ganhou sua carona, retornando pra casa, o que por si só já demonstra como o destino opera a favor dos loucos (se alguém refletir ai não é todo carro que cabe 02 crashs grandes, uma bike, um hall bag, e 3 pessoas ou seja mais que uma carona, Zé Roberto ganhou na loteria hehehe). 
Refletindo sobre isso percebi que essa vontade que move a mim um mero iniciante a ficar rodando tantos quilômetros para escalar um período de poucas horas (hoje minutos) é a mesma que leva um forte escalador como Zé a se lançar por dias no compromisso solitário de escalar. É a simples vontade de estar na pedra, de estar conectado com essa energia, que faz parte de qualquer estilo de escalada e em qualquer nível. É resgatar a energia que move a criança a brincar e que para nós urbanóides se perde só sendo encontrada no contato com a natureza.
Hoje estou agradecido, sobretudo pela sorte grande de ter uma companheira que além de me aturar, cuidar de mim e me motivar a ser melhor, compartilha comigo a mesma vibe de querer ir para pedra sem muita gente, sem compromisso, sem projeto, sem competitividade, só pelo simples prazer de escalar, de xingar os erros e comemorar os acertos. Mesmo acordando cedo e de mau humor ela foi hoje pra pedra e só me deu seg, só pra me fazer feliz (na verdade ela deu azar e a chuva começou antes de irmos para algum boulder que ela realmente queria).Sou realmente um cara abençoado.
Muitos escaladores ainda desprezam o boulder enquanto prática e criam a idéia absurda de que boulder não é escalada, a estes eu só tenho uma coisa a dizer. Espero que a felicidade e a diversão que eu sinto ao subir um bloquinho de 2m de altura seja a mesma que você sente ao escalar 20 metros em uma via esportiva ou 200m em uma escalda tradicional. Hoje entendi o que já li em algum blog: O melhor escalador é aquele que mais se diverte.
Por fim (sei que a grande maioria de leitores não deve ter tido paciência com o longo texto) depois de tanta sensação boa fico pensando se realmente vale a pena relatar esse tipo de coisa , mas essa reflexão fica para outro post ou para nenhum mais.

Ass: Esdras

7 comentários:

Fernando disse...

DUCARAI!
Mas pode parar de subestimar tua criatividade na escrita, fella!
Concordo plenamente com o lance de escalar "pela vibe" e de deixar-se evoluir "ao natural"... Mesmo sendo eu um pseudo-escalador de poucos finais de semana...hehehe

Mas aê... Mandou muito bem, irmão!

abs,
Fera

Grazi disse...

Ti lindo :)
Esperamos vc, sua amada e o Jr :)

Beijocas!

diego minduim disse...

Muito bom o texto Esdras... essa sexta feira fiz uma coisa que queria a muiiiiito tempo, fui de bike de goiânia até a florestinha/casa da cobra, total 150km até a florestinha. Tive um parceiro, o Alexandre, pelos primeiros 60 km, depois fiz tudo sozinho, refleti bastante sobre o que estava fazendo e sobre tudo que conseguia pensar enquanto pedalava, saí de goiânia as 6 da manhã e quase 8 hrs da noite chego na florestinha e quem me recebe? o zé roberto, que me ajudou depois de uma exaustiva viagem... ou seja, "o destino opera a favor dos loucos" e é ajudando que se é ajudado. É bom saber que outras pessoas, além de mim, refletem sobre essas coisas... parabéns pelo texto. Abraço

ps.: o casal é a Ariana e o Rafael

=D

Caroline Henley disse...

doidemais!

Esdras Daniel disse...

Minduim você é um legionário rapaz. 150 km de bike e ainda escalou com o Zé. Valeu ai, saiba que o som do seu blog é um grande responsável pela minha inspiração.

Patricia disse...

Amei!

Clubinho da Montanha disse...

mmmassaaa