quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Climb Trip Rio - continuação

Dia 2

Manhã de sol escaldante e céu azul , eu (Esdras) e Pati decidimos ir a praia para curtir um pouco. Ipanema é uma praia foda, mar verde transparente, sol e muita cerveja com direito a rir dos outros por muitas horas. Já em casa, semi bêbado e no fim de tarde saímos pra comer em uma padaria (porra em Brasília não existem padarias legais como no RJ). Chegando em casa Leandro já botou a pilha. – Partiu pra pedra do Urubu. Mais uma vez na Urca , munidos de headlamps e do lampião radioativo do Leandro, fomos eu, Pati, Grazi e Leandro escalar vias esportivas, carregando é claro o Crash que já ganhou o nome de Júnior porque incomoda igual uma criança pra ser carregado.

O problema do climb dessa vez foi que Leandro nos colocou em duas vias complexas na Pedra do Urubu. Urubu Capenga (7a/b E1) e Aresta do Urubu (7b E1) Roubando no primeiro movimento consegui tocar até o final da via Urubu Capenga (top rope claro), Pati a mesma coisa. A segunda via estava simplesmente fora do meu alcance, movimento de boulder, foothook pra entrar na via, Pati atambém tentou e após pular o movimento inicial subiu um pouco mais. Como estávamos com luz e crash partimos para um boulder chamado Bote Certo (7b) que para mim tornou-se pendência. Fiz a primeira entrada e comecei a isolar o bote (ou dinâmico) do final do boulder o que me deu esperanças, mas havia um movimento no meio da travessia que não fechava. Leandro e Pati também fizeram boas entradas mas o problema tava osso demais.

O melhor de tudo foi o visual, Lua cheia, o mar batendo na pedra logo abaixo e outro detalhe, sempre há gente escalando nos picos do RJ. Saímos já às 22h da pedra e partimos para o Garota da Urca , boteco bom com uma picanha na chapa que é um fenômeno.






Dia 3

São Pedro fazendo aquela presença, solzão e todo mundo meio atrasado, acordando com preguiça. Após muita indecisão , ponderações sobre o sol e o calor, resolvemos ir para o Grajaú, juntos de Rodrigo e Fernanda (um casal gente finíssima e que escalam muito).

O Parque do Grajaú é algo fora de série. Churrasqueiras, duchas e banheiros e muita, mais muita pedra para boulder e vias esportivas geralmente top ropes na sombra. A rocha em questão é uma das mais machuquentas que eu já vi na vida. Montamos 4 tops de graus variados e desconhecidos por nós e passamos a manhã esfolando os dedos em vias bem boulderísticas. Pude ainda parar e olhar a linha do boulder "Olhos de Fogo" um clássico muito falado por ser um boulder difícil e complexo.

O interessante dessa escalada foi a possibilidade que eu e Pati tivemos de revisar os procedimentos de rapel e parada, em um ambiente mais tranqüilo e com a instrução da professora Grazi.

Após toda escalada resolvemos almoçar do outro lado do RJ em um lugar chamado Prainha. Ao longo do caminho ficamos bestificados com a beleza e a variedade de ambientes que o RJ tem. Serras, praias paradisíacas, florestas ... é muita coisa pra um lugar só. Comemos um belo peixe e após muita conversa boa resolvemos ir para casa.

Ir para casa significou pegar um engarrafamento monstruoso na cidade, afinal todo mundo desceu para a praia já que o dia estava perfeito. Demoramos apenas 3 horas para fazer o percurso e chegamos exaustos em casa. Pizza e mais PS3, dessa vez eu e Leandro travamos batalhas homéricas no futebol, como um Brasil x Argentina que terminou em 4x3 para os hermanos hehehe.

Em meio a muito vídeo game percebemos que a chuva despencava lá fora.







Dia 4

Passei a madrugada acordando e verificando a situação da chuva acreditando que a benevolência de São Pedro havia acabado. Já às 7h eu rodava pela casa ansioso por saber o que faríamos. Não chovia desde às 5h e o sol já aparecia entre nuvens. Em meio a muito debate entramos no carro e partimos para a Urca onde acreditávamos que se tudo estivesse molhado rolaria algum boulder. Quando olhamos para o Morro da Babilônia percebemos que a maior parte da pedra estava seca. Eu e Leandro partimos prontamente para a pedra na decisão de escalar a via Vilma Arnaud.

Completamente ansioso, pois nunca havia escalado algo tão alto e com posicionamentos e técnicas estranhas, comecei a gelar antes de subir. Leandro montou a P1 e lá fui eu, esvaziando a mente e tocando com um ritmo até bom. A via é incrível, com muito movimento em equilíbrio , sem agarras de mão mas com pés bons. Quero dizer, pés bons para quem possui uma sapatilha mais confortável. Como praticante de boulder e esportiva, minha sapata é extremamente apertada, o que torna dificílimo escalar parede. Já na p3 meus pés me davam sinais de que não iam melhorar. Resolvemos ir até a p4 e ver a situação, porém após uma queda besta eu rasguei o dedo e achei melhor parar por ali, afinal meu sonho estava completo, escalei acima dos 100m de altura num visual incrível, com o dia entre nuvens, um ventinho frio batendo, ou seja, perfeito.

Lá embaixo, Grazi e Pati faziam a p1 da mesma via. Descemos e após muita comemoração saímos para a Urca na intenção de fazer boulder. Nosso grupo agora contava com Felipe e PH que apresentaram problemas de difícil acesso, base estranha mais com uma qualidade impressionante. No Bloco Preguiça Patrícia, Felipe e Leandro mandaram rapidamente o boulder inicial e uma variação tipo travessia. Com o dedo estourado, os pés assados eu ainda dei uns pegas mas não agüentava mais a sapata.

Caminhamos por blocos com o mar batendo e chegamos em um problema que não sei o nome. Um boulder fantástico saindo de um teto com movimentos esticados e uma base assustadora. PH nesse momento deu um show de escalada mandando fácil. Pati tentou mas achou esticado e Felipe e Leandro evoluíram bem mas travaram.

Partimos para o bloco famoso Bloco chamado Ouriço. O boulder em questão era completo, travessia para um teto, com agarras boas e muita explosão. PH fez uma boa entrada, Felipe também, Pati foi evoluindo e de repente Leandro provou que apesar de escalar paredes ainda preserva suas raízes de Cocalzinho. Mandou fácil o boulder. A cadena inspirou PH que fez a linha por agarras mais difíceis, Pati que isolou todo o boulder mas faltou força e pele pra tentar a cadena e Filipe que também mandou bem, faltando pouco pra encadenar.

Finalizando fomos ao boulder Gringo já na Pista Claudio Coutinho. PH mostrou como era a linha e Leandro boulderísta mandou sem problemas. Pati até segurou nos regletes mas desistiu pois os dedos estavam mau. Partimos mais uma vez em busca de comida e após sair sem comer de uma Churrascaria A La carte (coisa que eu nunca vi) fomos ao Garota Carioca no bairro Flamengo comer picanha na chapa e tomar chopp.

Já em casa, Grazi e Pati desmaiaram de sono e eu e Leandro ficamos dando risada do Programa do Silvio Santos com suas pegadinhas escrotas.

Como vocês podem ver, escalamos 3 estilos de escalada em uma trip de 4 dias. A hospitalidade e a disposição de Leandro e Grazi tornaram tudo mais fácil e prazeroso. Para mim essa viagem foi fundamental para resgatar a paixão pela escalada, para aliviar a cabeça e relembrar que o importante da vida é a amizade, a diversão e as experiências únicas que vivemos na pedra, seja ela alta ou baixa.

Aconselho a quem for pro RJ não deixar de conhecer a Urca e levar corda e crashpad, afinal Júnior (nosso crashpad) foi tão utilizado que chegou a ir ao topo do Pão de Açúcar. KKKKKKK!


Um comentário:

bode disse...

Esdras e Pati

Foi muito bom recebê-los e voltem logo, tem muita parece ainda!
Esdras, precisamos matar mais terroristas... e no programa do Silvio Santos eu travei de rir!!!

Valeuuuuuuu