terça-feira, 20 de abril de 2010

Santa semana ou Semana Santa?

Semana Santa prolongada, enfim férias para escalar. Preparação, após a quaresma sem cerveja, uma semana sem carne (não por motivos religiosos e sim para preparar o paladar para a carnívora Curitiba-PR). Partimos eu (Esdras Daniel) e Álvaro no sábado 03/04 para nos encontrarmos com a Pati e família em Curitiba. Como de costume saímos do aeroporto direto para uma churrascaria maravilhosa onde ouvimos as novidades da família "Chagas Neves" e aumentamos a pança.

Já em casa a decisão: –Partiu Corupá!

Descemos até Jaraguá do Sul, seguimos um motoqueiro até a casa onde iriamos pernoita, na casa de Julia Coral, amiga dos velhos tempos de movimento estudantil e que agora é uma mega empresária do ramo farmacêutico. Já no apartamento de Julia tive tempo de tentar diminuir a má impressão que os pais da Julia tinha de mim (história antiga - fui pego em flagrante utilizando o banheiro proibido da casa de Julia quando ela dividia o apartamento com a irmã).

Em plena madrugada acordamos com um tiroteio enorme, na verdade queima de fogos da igreja em comemoração a páscoa. Na manhã, em meio ao tempo chuvoso podemos observar a bela e pacata Jaraguá do Sul – SC situada em um vale. O tempo chuvoso não nos impediu de ir até Corupá-SC (próximo cerca de 30km) em busca do novo expoente da escalada esportiva no Brasil, aproveitamos e carregamos Julia para junto da natureza. Nos perdemos em Corupá por acreditarmos que bastava perguntar onde ficam as cachoeiras (não sigam as placas que indicam “rota das cachoeiras”) e descobrimos que a região é riquíssima em eco-turismo. Ao perguntarmos onde fica a cachoeira do Braço Esquerdo fomos guiados por um novo motoqueiro até o bairro Ano Bom onde após a ponte é possível seguir as placas indicando cachoeira.

Chegamos ao pé da serra onde existe uma estrutura de camping e bar e fomos informados que a propriedade do Senhor Paust (conforme indicado no croqui e nas informações cedidas pelo amigo Dani Casas) era logo acima seguindo a estrada. Uma placa no inicio da subida “use a 1ª marcha” deve ser levada a sério principalmente se você estiver em um carro 1000. Chegando lá em cima fomos recebidos pelo Senhor Paust que além de um grande anfitrião entende tudo de escalada (o cara sabe a localização e graduação das vias e até o nome dos conquistadores).

O lugar é um caso a parte, menos de 100m entre o bar, área de camping e a base das vias. Rio passando por baixo da pedra e uma rocha que parece um muro de academia. Rocha do tipo conglomerado com seixos que fazem lembrar um muro de resina. Infelizmente a chuva não dava um tempo e mesmo com tudo molhado entramos na Anônima 6ºsup. É engraçado como esse tipo rocha engana, parece ser cheio de agarras, mas na hora é pura ilusão. Escalei mal (novidade?) e Pati e Alvaro tocaram com direito a corda travada e reclamações. A rocha úmida estava inviável então aproveitamos os pastéis e trocamos uma idéia com uma galera acampada que vinham de Floripa, mas na verdade eram Brasilienses que treinaram em um passado não muito distante com Bêra e Horse (eita mundo pequeno).

Voltamos à Curitiba no final de tarde e pegamos um engarrafamento que demorou 02 horas para fazer 15 KM. Álvaro dormiu boa parte do caminho e sobrou para Pati escutar todas as minhas reclamações e impropérios. Chegamos em casa, muito frio que foi resolvido a base de um delicioso macarrão e vinho.

Anhangava – Mais um fiasco brasiliense

Dia seguinte, muitas nuvens, neblinas e afins mas estávamos decididos a escalar. Partimos para Quatro Barras – PR para tentar escalar no Morro do Anhangava. Paramos em uma padaria , compramos e pagamos o lanche (atentem para essa parte). Uma breve parada para conhecer o Abrigo 5.13 onde fomos recebidos muito bem e podemos ver uma ótima estrutura para ficar.

Seguimos para a base do Anhangava onde liguei para o Chiquinho (Luiz Hartman, da empresa Alto Estilo) que nos mostrou de longe onde deveríamos escalar. Subimos a trilha em aproximadamente 20 minutos de caminhada hard com direito a Patricia passando mal e lá em cima olhamos as vias. Decidimos por uma que parecia acessível porém após tentativas de Álvaro e uma breve subida minha para ver desistimos. O tempo fechou e começou a garoar, bateu a fome e pasmem o lanche que pagamos ficou na padaria. Com fome e chuva fizemos um rolê na base das vias e decidimos ir embora.

Faço aqui a promessa, só subo o Anhangava de novo com alguém que saiba a localização das vias e que nos ensine a escalar na aderência. Não adiantam croquis, guias etc... Quero ver ao vivo alguém equipando.

Resina para afastar a preguiça

O dia seguinte ao nosso fiasco de escalada foi de muita chuva e passamos embaixo das cobertas. Decidimos então dar um pulo na loja Casa do Montanhista e conhecer a Campo Base. A loja da Campo Base, recém inaugurada sob a direção de Luize e Chiquinho e contando com o vendedor Eduardo (personagem de nosso relato de ano novo) conta com ótimos equipamentos a um preço bom. Aproveitei para comprar uma Sapatilha Bandit da Evolv e Álvaro um boné de escalador playboy. A noite retornamos para a academia para aproveitar um treino.

A estrutura da Campo Base é de babar: slackline de uns 15m, área de boulder, vias em top rope e guiadas até 9º grau. O frio estava dificultando mas escalamos muito na resina com direito a muita conversa com a galera local.

Enfim escalada

Pegamos o Tiago (curitibano morando em Brasília e sofrendo de saudades da terra) em casa e fomos para a casa do Chiquinho na Base do Anhangava (lugar onde qualquer escalador gostaria de morar). Conhecemos as instalações da fábrica da Alto Estilo onde pegamos nossos crashpads encomendados pelo Gil e compramos umas calças de flanela pra agüentar o frio. Deixamos o carro no Abrigo 5.13 e pegamos a trilha rumo aos Castelinhos. Setor de boulder irado, muito granito, sem agarra e só na aderência. Entramos em alguns boulders, arestas, abaulados com cristais sinistros e voltamos correndo para Curitiba a tempo de despachar o Álvaro para Brasília no Aeroporto.

Eu e Pati passamos ainda mais 3 dias em Curitiba escalando garrafas de vinho e muita carne.

4 comentários:

Angelo! disse...

Muito bom o relato da viagem. Apesar da chuva estragando a escalda, o resto deve ter sido muito bom!
Show...

Thiago disse...

Ai a terrinha...
Saudades desses cristais fura-dedos

Esdras Daniel disse...

Esqueci de acrescentar no relato que os mosquitos de Corupá-Pr não respeitam nenhum repelente. A solução para a coceira no fim de tarde foi a dica da Julia - passar sabonete no local e deixar secar. Não sei se foi efeito placebo mas resolveu meu problema.

Gil!-) disse...

oh, lek...
n acredito q subiu a trilha do anhangava e n escalo...
trilha moh punk de encara, e pra nada? caraca...
da proxima qero tah junto. escalei umas 15 vias agora no curso e vi outras milhares...

[]'s