segunda-feira, 2 de agosto de 2010

RELATO CLIMB TRIP UBATUBA

1º DIA

Trilha sonora selecionada, croqui impresso (obrigado galera da UBT), bagagens e crashpads na “Cocalina”, eu (Esdras), Julio, Alvaro, Rodolfo, Fera e Crash (travesseiro disfarçado de cachorro de pelúcia do Rodolfo) partimos rumo a Ubatuba-SP para 05 dias de muito boulder e descanso (se é que isso é possível em uma trip de escalada). Estrada tranqüila, dia claro de sol, carro bom, fizemos uma viagem confortável graças à alimentação providenciada pela DJ (mãe da galera). Chegamos ao Hostel Tribo por volta de 17h e já fomos recebidos calorosamente com uma proposta de churrasco. Noite regada a violão de Rodolfo, Fera e Sinvaldo (local de Ubatuba), muitos malabares, cervejinha e conversas em diversas línguas, pois havia americano, colombiano, alemã e até uma maluco do Alaska. O hostel é um caso a parte, mesa de sinuca, geladeira com cerveja, internet, piscininha e muita hospitalidade, tudo isso bem próximo à praia e barato.

2ºDia

Acordamos às 7h com o sol invadindo o quarto e com a aflição típica de quem viaja para escalar. Café da manhã e partimos rumo ao Pontão da Fortaleza. Como sempre nos perdemos um pouco, mas encontramos a praia. Caminhando em direção ao pontão, a impressão que dá é que os blocos são poucos e pequenos. De longe avistamos um solitário escalador com seu crashpad entrando na trilha o que facilitou nossa vida. Chegando às pedras a surpresa. O lugar é incrível, muita pedra, todas as inclinações possíveis, agarras inéditas e o melhor, com o mar batendo na borda. Marco (escalador paulista) se juntou ao nosso bonde, pois escalava sozinho. Após Marco, eu e Fera encadenamos o "Chapeleta" (V0) que possui a peculiaridade de ter uma chapa no meio e um topo batido.

Julio e Alvaro já malhavam o "Sertão" (V3) e assim nos juntamos nessa empreitada. Julio mandou o boulder de segunda entrada demonstrando que o maior problema era a virada. Alvaro chegou ao topo e caiu na virada. Assim, sem grandes pretensões me pendurei na borda superior do boulder e isolei a virada, seguido por Fera que quase mandou. Mais estimulado, Alvaro mandou o boulder deixando eu, Rodolfo, Fera e Marco malhando enquanto ele e Julio ralavam no "Pelo Sertão" (V6).
Passamos o restante do dia entrando em diversos problemas como "Van der Waals" (V4), "Tostex" (V2), "Pro Abaulado" (V2), "Bunda no chão" (V2) e conhecendo o lugar. Saímos da pedra já no anoitecer, famintos e fedorentos.

Após o merecido banho partimos para o “centro” de Ubatuba atrás de boa comida. Após 45min esperando um chopp e a refeição desistimos do restaurante Tudo de Bom (shit) e partimos para o self service 100 Miséria onde comemos bem. A noite no Hostel foi regada a cervejinhas, sinuca e muito bate papo. Porém no meio da madrugada desabou um temporal.

Destaque do dia: Tivemos um grande debate sobre como proceder para não entupir o vaso do banheiro, pois o mesmo possuía o diferencial de ter muita água. Após muita discussão de dentro do banheiro uma voz pergunta: - Alguém ai sabe fazer um nó de forca com o fio dental?

3º Dia

O mundo submerso. Choveu a noite inteira e a neblina aliada às nuvens não nos deixaram outra escolha. Partimos para o bar mais próximo onde enchemos a cara de cerveja, jogamos muita sinuca (sagrei-me campeão dos campeões) na companhia de alguns amigos do Hostel. O restante do dia foi de lamúrias, DVDs piratas e de um quase afogamento, pois decidimos ir tomar um banho de mar na Sununga (praia recomendada para surf e skimboard). Tudo isso aconteceu e não era nem 16h quando o macarrão delicioso cozido por Julio após 5 horas seguidas chegou à mesa. Comemos, dormimos, jogamos inúmeros jogos cheios de adrenalina como dados (jogo originário do Alaska) e damas e simplesmente não parou de chover. Fera passou a maior parte do tempo alisando a gata no sofá (não é isso galera, o hostel tinha uma gata preta cega conhecida como Juju). Eu consegui ficar bêbado, ter ressaca e me curar tudo no mesmo dia.

4º Dia

Dia cinzento, ainda chuviscando, resolvemos armar um slack line próximo à praia. Munido da minha tradicional cara de pau fui até uma casa que possuía no quintal de frente para o mar, duas árvores e uma grama aparadinha e pedi autorização que foi prontamente liberada. Passamos a manhã andando de slack, Julio alugou pranchas de skimboard e assim matamos o tempo da manhã esperando que não chovesse. Diante do tempo estável partimos para o Pontão novamente onde enfrentamos a trilha lameada, a maré cheia e a base dos boulders completamente molhada. Ao chegar encontramos um casal com um crashpad e um molinete de pesca. Papo vai, papo vem e o cidadão pediu um crash e uma seg para que ele entrasse em um boulder. Eu prontamente fui até lá e vi uma das maiores cadenas que já presenciei. O escalador Adebas (Adérito), instrutor da Casa de Pedra e pescador acabava de mandar o boulder “Normandia" (V12), em um dia úmido como aquele.

A cadena de Adebas foi inspiradora e assim seguimos escalando diversos problemas destacando a malhação de Alvaro e Julio no "Van der Waals", a surra que tomei na virada do "Mal me Quer" (V3) encadenado por Alvaro e Julio. Rodolfo, Julio e Alvaro mandando o “Presa de Marfim” (V2). De repente o local foi tomado por cangas coloridas dando um tom de Woodstock ao local. Tratava-se de escaladores argentinos e suas respectivas namoradas que estavam de passagem pelo local e escalaram muito nesse dia a ponto de considerar –Tranqüilo - o matador "Van der Waals".

5º Dia

Novamente armamos o slack line na praia, só que dessa vez em um bar para que Julio tomasse seu café da manhã (cerveja às 9:00h). Partimos cedo para a pedra após comprar aquele rango. Após uma entrada finalmente mandei o "Sertão". Julio e Alvaro mandaram o problema “Pro Abaulado” e foram malhar o "Tostex" e o "Pro Bidedo". Segui tomando uma surra do “Mal me quer” e fiz uma boa entrada no ”Pro Abaulado”. Julio evoluiu muito bem no "Van der Waals" e acabou não realizando a virada. Encadenei ainda o "Titanic" (V0) positivão alto com cara de pouco visitado. Alvaro e Julio malharam bem o “Pezinho” (V4), problema alucinante e Rodolfo evoluiu bem no "Morceguinho" (v3).

Chegando no Hostel uma surpresa. Crash estava dormindo abraçado com Caco (o Macaco de Pelúcia do Hostel). Ainda não descobrimos o autor desse vandalismo, mas seguiremos investigando.

6º Dia

Ultimo dia de Trip é sempre uma fome de pedra. Reencontramos Adebas e namorada e um jovem escalador (???) acompanhado dos pais e que mandou muitos boulders que estávamos entrando. Esse dia foi de grandes cadenas, mandei o "Facinha" (V0) e finalmente o “Mal me quer”, Julio mandou "Van der Waals", "Monoselha" (V3), "Tigela de Açaí" (v1); Alvaro mandou "Longa Metragem" e o "Monoselha" e Rodolfo como sempre bundou nas viradas do "Sertão" e do "Longa Metragem" (V2), Fera mandou o "Sertão" e ficou malhando o "Tigela de Açaí" seguido por mim e pelo jovem escalador . A pele dos dedos já não agüentava mais nada nos levando a apelar para o SuperBonder e para o esparadrapo (após uma aula com o Professor Adebas).

Quando finalmente eu achava que ia mandar o “Pro abaulado” cai tocando a última agarra do boulder o que me deixou indignado e com o braço inteiro ralado. Julio também caiu já próximo ao domínio do “Pezinho” (V4). Podemos ainda pescar, ver tartarugas verdes e outras coisas que só a convivência na pedra propicia. Já era noite quando Alvaro quase mandou o "Bote" (V4) localizado na lateral do "Van der Waals" provando que sua especialidade é reglete.

Enfim deixamos a pedra com os dedos pingando sangue e felizes por termos vivido 5 dias de muita escalada e diversão. Além das lições, movimentos e novas amizades, chegamos à conclusão que os V2 de Ubatuba são muito mais difíceis que os V3. Hehehe!
O retorno pra casa foi tranqüilo , porém nos iludimos com uma placa que informava POSTO JK a 90 km quando ainda estávamos antes de Catalão-GO. Resultado, andamos o tempo todo com o painel indicando que de forma decrescente a autonomia de combustível. Era noite, estávamos no meio do Goiás sem nem uma luz próxima a não ser o cerrado em chamas. Chegamos a um posto de gasolina desativado onde descobrimos que a 6 km para frente encontraríamos combustível. Foram cerca de 1h de tensão até estarmos com o tanque e com o estômago cheio.

Para quem ainda diz que viajar para fazer boulder é prejuízo fica a experiência.

2 comentários:

Rodolfo disse...

Valeeeeeeu de novo, DJ.
(Mãe da galera)

Clubinho da Montanha disse...

cocalinaaa...kkkkkkkkkkkk