Como todos estão cansados de saber, nunca fui com a cara do RJ por inúmeras razões, mesmo reconhecendo a beleza natural do lugar e tudo o que representa pra escalada brasileira desde sempre. Simplesmente "meu santo não bate com o da cidade".
Após inúmeras visitas dos outros integrantes do nosso bonde do quadradinho, com relatos de escaladas divertidíssimas e da minha dívida de visitar o casal Grazi e Seu Cardoso, que já moram por lá há um tempinho, aproveitei uma data "vazia" na agenda de todos e parti na última sexta pela manhã pra curtir um final de semana na casa dos dois. De início já tomei um susto, pois nunca havia escalado trad e o casal já estava programando o meu debut na "pequena" Leste em Salinas, com seus 700 e tantos metros e trocentas cordadas. Devido ao mau tempo, acabamos por ficar no Rio mesmo. Cheguei por volta de 2 da tarde e fui almoçar com a Grazi pra já sair correndo e pagar minha penitência por ser o último a conhecer o "cafofo do Flamengo". Partimos carregando parte da mudança para Santa Tereza, onde será o novo cafofo, que já apelidei de "Arca da Grazi", por sempre aparecer um pássaro, um macaco, um monte de marimbondos e etc. na janela. O lugar é demais, mas deixa isso pra eles contarem no 2nocume em outra hora.
PS: Casal, dessa vez eu fui o 1º a visitar e não tenho que pagar a prenda de ter que abrir aquela porta enjoada quando voltar, blz?
Após a faxina feita, gavetas consertadas, as fechaduras imperradas e um calor dos infernos, voltamos pro Flamengo pra esperar o Leandro chegar do trampo e sairmos pra tomar uma cervejinha perto de casa, onde decidimos que Leandro me levaria pra fazer a clássica combinação: Italianos + Secundo na manhã seguinte e a K2 no Corcovado à tarde, enquanto a Grazi continuava a mudança pela manhã e ia conosco pra K2 depois.
Sob protestos e um arrependimento quase imoral de ter que sair cedo, partimos no sábado pra base da via e chegamos lá umas 8:10 hrs. Deveríamos ter chegado mais cedo, mas meu condicionamento físico acostumado às trilhas de boulder em Cocal e vias de Belchi, Fercal e etc., não é o mais condizente com a caminhada de aproximação. Resultado, quase morri!
Quando chegamos, já haviam 2 duplas escalando e mais 2 à nossa frente... Finalmente conseguimos começar umas 10:30 hrs, com o Leandro guiando e eu de 2º. Ainda na 1ª cordada, em um lance de equilíbrio lá pela 4ª costura, fui levantando meu corpo pra segurar na próxima agarra e a fita de uma das costuras que eu havia retirado ficou presa no "P", bem no meio do move, me travando. Na tentativa de voltar e desenroscá-la, escorreguei e, por muito pouco não levei um "P" cravado nas costelas de lembrança da via. Na queda a costura continuou enganchada no "P", arrancando o rack da minha cadeirinha e jogando mais 2 costuras que nele estavam, na galera da cordada de baixo (por sorte não acertou ninguém e ainda eram amigos do Leandro, quebrando um galho e devolvendo-as pra ele depois).
No mais, excetuando as pernas doloridas e a minha necessidade de troca da sapatilha "confortável" que não me dava a menor segurança, por uma de esportiva, que aperta mais que a super bermuda modeladora do Dr. Ray, a via seguiu sussegada com direito à paradas pra tirar umas fotos e curtir o visu que o dia claro, mas não muito quente, nos proporcionou.
Chegamos ao cume mais ou menos às 14 hrs, depois de uma pequena cordada de aderência, que me fez ter a certeza absoluta de que é mais fácil eu encadenar, à vista e sacando costuras, o primeiro 12º grau brasileiro de agarras no negativo, que um 3º grau de 10 m na aderência... PQP, que saco! Com o avançar do horário (e mesmo que tivéssemos chegado cedo, eu não teria condições morfológicofísicotrópicas de fazer outra via longa no mesmo dia), deixamos a K2 pra outra oportunidade, assim como deixo a continuação desse relato mais pro final dessa semana...
Desde janeiro o plano de escalar a Chaminé Gallotti tomou conta da minha cabeça. Para quem não conhece a história desta mitológica linha cabe saber que ela foi a 4ª via conquistada no Pão de Açucar, no período de 1949 a 1954, com muito esforço e coragem por Antônio de Oliveira, Ricardo Menescal, Laércio Martins, Patrick White e Tadeusz Hollup, todos membros do Clube Excursionista Carioca - CEC. Um dos mistérios que permeia essa linha é o fato dos conquistadores terem se deparado com um cadáver mumificado que se encontrava preso pelo pescoço no trecho referente à segunda cordada da via. Quem quiser saber mais dessa história deixo no final do texto os links e recomendo assistir aos filmes.
Foram quase 3 meses de alimentação regrada, de corridas diárias, slack line e treinos de resistência para que eu pudesse me sentir apto físico e mentalmente para encarar essa via, pois como já falei antes aqui não sou um cara muito forte e não tenho grande preparo físico o que venho lutando diariamente para mudar.
Para mim, escalador brasiliense com grande afeição por boulders, essa via tornou-se um projeto extremamente desafiador por dois simples motivos. Primeiro por que nunca em toda minha vida eu havia escalado algo superior a 150 m de altura, não que eu tenha medo de altura, mas a extensão de uma via diz muito sobre a resistência física e psicológica para realizá-la. Segundo porque eu nunca havia escalado, treinado ou aprendido a técnica de escalada em chaminés e teria que enfrentá-las durante toda a via.
Enfim, era um desafio enorme e para topar realizá-lo somente alguém com tão pouco juízo e muita pilha como eu, mas com grande conhecimento e técnica em escalada, ou seja, Leandro Cardoso. Leandro e Grazi (casal 2nocume) são os grandes responsáveis pela minha atração pela escalada tradicional (se é que esse nome cai bem), sempre me incentivando a retornar ao Rio de Janeiro para me dedicar a outro estilo de escalada que não seja boulder hehehe.
Minha ida para o Rio de Janeiro foi adiada na quinta feira devido às tempestades que alagaram Brasília tornando impossível decolar. Sexta-feira pela manhã parti para o Rio de Janeiro onde encontraria com Grazi e Leandro e ficaria esperando por Patricia, Monique e Dani que chegavam com destino à Invasão Feminina 2011, evento que será melhor abordado em um relato específico. Chopinho de boas vindas muita conversa no bar e algumas horas jogando UFC no Playstation 3 do Leandro onde nos dedicamos ao aquecimento dos dedos para a empreitada.
Sábado 8h da manhã, a Urca estava tomada por camisetas roxas do evento Invasão Feminina, incluindo eu (Esdras) que vesti a camisa em apoio ao evento. Fomos guiados pela trilha íngreme até a base da via por Rodrigo, escalador carioca e grande amigo que tentou nos alertar para o desafio à nossa frente. As descrições de Rodrigo eram ótimas e estimuladoras como extremamente suja, estreita, difícil e pra finalizar a tradicional frase: - Essa via é um quinto grau, mas é um quinto grau de chaminé. Melhor que isso foi a cara e a risada dele quando eu disse que nunca havia feito uma chaminé na vida. Mas nada disso abalou a idéia de escalar aquela via, pelo contrário, me senti ainda mais estimulado pela roubada que se apresentava.
Iniciamos a escalada por uma canaleta extremamente suja, cheia de mato e terra e assim foi até a segunda parada, alternando trechos de canaleta, aderência com boas agarras que não assustou. Leandro seguiu guiando para a terceira enfiada onde se iniciam os lances de chaminé. Na seg, eu mantinha a cabeça pensando positivamente, lembrando de como deve ter sido insano para os conquistadores realizarem aquela escalada. A comunicação com Leandro já não existia e passei a dar segurança cega, o que causa bastante ansiedade. Relaxei e Leandro recolheu a corda permitindo que eu iniciasse a escalada. Confesso que o primeiro momento de chaminé é bem intuitivo (pelo menos para mim), porém lidar com o estreitamento torna a tarefa realmente assustadora ainda mais se você tenta fazer isso com a mochila nas costas. Após ficar entalado, desloquei a mochila e pendurei na solteira, o que tornou menos problemático o lance. Entrei em uma espécie de escada estreita e segui a chaminé sob a orientação do Leandro que descreveu bem o final desse trecho: - Isso aqui pareceu um parto.
A via continuou alternando lances com agarras até um platô um tanto assustador por ser macio e cheio de plantas (o Leandro derrubou parte dele quando pisou provocando uma avalanche de terra hehehe). Leandro seguiu para mais um trecho de chaminé que passava por uma enorme pedra entalada. Essa cordada foi ainda mais forte para o psicológico, pois na seg eu não tinha notícias de Leandro e a corda passou muitos minutos parada me levando a recolher e a permanecer ali, a mais de 100m de altura admirando a paisagem e atento ao freio. Leandro deu sinais na corda e seguiu e de repente começou a ser recolhida.
Chegamos enfim no chamado “Lance do Estribo”, um artificial que rapidamente foi superado por Leandro. Porém, no momento de limpar o segundo estribo, a peça estava extremamente presa e eu ficara preso pela cadeirinha ao pequeno platô. Após literalmente ralar o umbigo, consegui recuperar o estribo e a peça e subir no platô com o coração na boca de tanto fazer força e de tanto medo de cair. Detalhe, eu também nunca havia escalado em artificial.
Já no platô que fica interno à chaminé cuja ancoragem é em um bico de pedra nos deparamos com o trecho mais complicado da escalada. Uma chaminé anterior a conhecida como Chaminé da Gia (chegamos a conclusão depois que deveria se chamar o cú da gia) que possui um estreitamento (tetinho) no qual a proteção deve se localizar a uns 10 metros do Platô. Após o descanso e um pequeno registro em filme Leandro tentou o lance um pouco pela esquerda evitando o temido estreitamento, porém percebeu a dificuldade e tentou desescalar devido às câimbras nos braços. De repente Leandro cai a cerca de 4 metros acima de mim e vem até o platô onde eu estava ancorado (lembrem-se no bico de pedra) ,após me chutar ele cai sentado no platô sem bater os pés e amortecido pelas mochilas. Abaixo de nós havia pelo menos 30 metros de chaminé.
Demoramos bons minutos nos recuperando do susto e das possibilidades que aquela queda significava. Leandro, porém demonstrou controle, inverteu o sentido que estava escalando, se alinhou na direção do distante “P” e tocou os dez metros de chaminé desprotegida. Chegando lá em cima notei que ele hesitou e passei a incentivá-lo até a costurada, mas tremendo de medo. Confesso que nunca fiquei tão feliz em ouvir um som de mosquetão como naquele momento. Leandro tocou a escalada pelo lance por mais duas costuras até o platô da árvore.
Nesse momento pensei em desistir da escalada, mas após ver a coragem de Leandro enfrentando aquele lance decidi que ia até o final a todo custo. Por incrível que pareça, escalei calmo e superei o lance até o “P”, porém na sequência da chaminé extremamente estreita, não conseguia realizar o movimento de saída, pois não era possível sequer girar a cabeça, fui seguindo os betas do Leandro e tive que me pendurar na corda para conseguir virar o rosto e dar fim ao martírio.
Após todo perrengue os últimos lances pareciam um passeio na floresta, onde a escalada se alternava com cipós e troncos de árvores. Final desse lance, segundo o croqui deveríamos seguir cerca de 50 metros até encontrar a trilha. Porém nos deparamos com as duas cordas extremamente emboladas e com uma mata fechada à frente.
Após a tentativa frustrada de desenrolar as cordas, decidimos seguir com o bolo de cordas na mão e por algo que parecia a trilha. Fui a frente do Leandro (único trecho que guiei hehehe) rompendo o bambuzal no peito e extremamente irritado por culpa de cipós que me enforcavam a todo momento. Chegamos enfim no calçamento da estação do bondinho do Pão de Açúcar, após 6 horas de escalada, extremamente sujos e com muita sede, mas com a alegria de ter realizado uma grande escalada. No cume podemos compreender o que o Guia da Urca quis dizer com a frase. “Uma verdadeira escalada de aventura”.
Ficamos tão exaustos que o restante do fim de semana foi dedicado a alimentação,descanso e cuidados com os diversos ferimentos da batalha. O relato não contou com fotos por uma simples razão, fiquei com medo de derrubar o celular lá de cima e o tremor nas mãos(adrena) não permitia que as fotos ficassem descentes, por isso optei por filmar. Se quiser ouvir o Leandro falando aumenta bem o som porque o celular não pegou bem kkkkk
Vídeo 1
Vídeo 2
Vídeo 3
Links sobre a gallotti
http://www.mundovertical.com/utilidades/mumia.htm
http://www.companhiadaescalada.com.br/croquis/croquis-fator2/cr35.jpg
http://www.montanhar.com.br/filme_gallotti.html
http://www.youtube.com/watch?v=pADFsVAzXDQ
Manhã de sol escaldante e céu azul , eu (Esdras) e Pati decidimos ir a praia para curtir um pouco. Ipanema é uma praia foda, mar verde transparente, sol e muita cerveja com direito a rir dos outros por muitas horas. Já em casa, semi bêbado e no fim de tarde saímos pra comer em uma padaria (porra em Brasília não existem padarias legais como no RJ). Chegando em casa Leandro já botou a pilha. – Partiu pra pedra do Urubu. Mais uma vez na Urca , munidos de headlamps e do lampião radioativo do Leandro, fomos eu, Pati, Grazi e Leandro escalar vias esportivas, carregando é claro o Crash que já ganhou o nome de Júnior porque incomoda igual uma criança pra ser carregado.
O problema do climb dessa vez foi que Leandro nos colocou em duas vias complexas na Pedra do Urubu. Urubu Capenga (7a/b E1) e Aresta do Urubu (7b E1) Roubando no primeiro movimento consegui tocar até o final da via Urubu Capenga (top rope claro), Pati a mesma coisa. A segunda via estava simplesmente fora do meu alcance, movimento de boulder, foothook pra entrar na via, Pati atambém tentou e após pular o movimento inicial subiu um pouco mais. Como estávamos com luz e crash partimos para um boulder chamado Bote Certo (7b) que para mim tornou-se pendência. Fiz a primeira entrada e comecei a isolar o bote (ou dinâmico) do final do boulder o que me deu esperanças, mas havia um movimento no meio da travessia que não fechava. Leandro e Pati também fizeram boas entradas mas o problema tava osso demais.
O melhor de tudo foi o visual, Lua cheia, o mar batendo na pedra logo abaixo e outro detalhe, sempre há gente escalando nos picos do RJ. Saímos já às 22h da pedra e partimos para o Garota da Urca , boteco bom com uma picanha na chapa que é um fenômeno.
Dia 3
São Pedro fazendo aquela presença, solzão e todo mundo meio atrasado, acordando com preguiça. Após muita indecisão , ponderações sobre o sol e o calor, resolvemos ir para o Grajaú, juntos de Rodrigo e Fernanda (um casal gente finíssima e que escalam muito).
O Parque do Grajaú é algo fora de série. Churrasqueiras, duchas e banheiros e muita, mais muita pedra para boulder e vias esportivas geralmente top ropes na sombra. A rocha em questão é uma das mais machuquentas que eu já vi na vida. Montamos 4 tops de graus variados e desconhecidos por nós e passamos a manhã esfolando os dedos em vias bem boulderísticas. Pude ainda parar e olhar a linha do boulder "Olhos de Fogo" um clássico muito falado por ser um boulder difícil e complexo.
O interessante dessa escalada foi a possibilidade que eu e Pati tivemos de revisar os procedimentos de rapel e parada, em um ambiente mais tranqüilo e com a instrução da professora Grazi.
Após toda escalada resolvemos almoçar do outro lado do RJ em um lugar chamado Prainha. Ao longo do caminho ficamos bestificados com a beleza e a variedade de ambientes que o RJ tem. Serras, praias paradisíacas, florestas ... é muita coisa pra um lugar só. Comemos um belo peixe e após muita conversa boa resolvemos ir para casa.
Ir para casa significou pegar um engarrafamento monstruoso na cidade, afinal todo mundo desceu para a praia já que o dia estava perfeito. Demoramos apenas 3 horas para fazer o percurso e chegamos exaustos em casa. Pizza e mais PS3, dessa vez eu e Leandro travamos batalhas homéricas no futebol, como um Brasil x Argentina que terminou em 4x3 para os hermanos hehehe.
Em meio a muito vídeo game percebemos que a chuva despencava lá fora.
Dia 4
Passei a madrugada acordando e verificando a situação da chuva acreditando que a benevolência de São Pedro havia acabado. Já às 7h eu rodava pela casa ansioso por saber o que faríamos. Não chovia desde às 5h e o sol já aparecia entre nuvens. Em meio a muito debate entramos no carro e partimos para a Urca onde acreditávamos que se tudo estivesse molhado rolaria algum boulder. Quando olhamos para o Morro da Babilônia percebemos que a maior parte da pedra estava seca. Eu e Leandro partimos prontamente para a pedra na decisão de escalar a via Vilma Arnaud.
Completamente ansioso, pois nunca havia escalado algo tão alto e com posicionamentos e técnicas estranhas, comecei a gelar antes de subir. Leandro montou a P1 e lá fui eu, esvaziando a mente e tocando com um ritmo até bom. A via é incrível, com muito movimento em equilíbrio , sem agarras de mão mas com pés bons. Quero dizer, pés bons para quem possui uma sapatilha mais confortável. Como praticante de boulder e esportiva, minha sapata é extremamente apertada, o que torna dificílimo escalar parede. Já na p3 meus pés me davam sinais de que não iam melhorar. Resolvemos ir até a p4 e ver a situação, porém após uma queda besta eu rasguei o dedo e achei melhor parar por ali, afinal meu sonho estava completo, escalei acima dos 100m de altura num visual incrível, com o dia entre nuvens, um ventinho frio batendo, ou seja, perfeito.
Lá embaixo, Grazi e Pati faziam a p1 da mesma via. Descemos e após muita comemoração saímos para a Urca na intenção de fazer boulder. Nosso grupo agora contava com Felipe e PH que apresentaram problemas de difícil acesso, base estranha mais com uma qualidade impressionante. No Bloco Preguiça Patrícia, Felipe e Leandro mandaram rapidamente o boulder inicial e uma variação tipo travessia. Com o dedo estourado, os pés assados eu ainda dei uns pegas mas não agüentava mais a sapata.
Caminhamos por blocos com o mar batendo e chegamos em um problema que não sei o nome. Um boulder fantástico saindo de um teto com movimentos esticados e uma base assustadora. PH nesse momento deu um show de escalada mandando fácil. Pati tentou mas achou esticado e Felipe e Leandro evoluíram bem mas travaram.
Partimos para o bloco famoso Bloco chamado Ouriço. O boulder em questão era completo, travessia para um teto, com agarras boas e muita explosão. PH fez uma boa entrada, Felipe também, Pati foi evoluindo e de repente Leandro provou que apesar de escalar paredes ainda preserva suas raízes de Cocalzinho. Mandou fácil o boulder. A cadena inspirou PH que fez a linha por agarras mais difíceis, Pati que isolou todo o boulder mas faltou força e pele pra tentar a cadena e Filipe que também mandou bem, faltando pouco pra encadenar.
Finalizando fomos ao boulder Gringo já na Pista Claudio Coutinho. PH mostrou como era a linha e Leandro boulderísta mandou sem problemas. Pati até segurou nos regletes mas desistiu pois os dedos estavam mau. Partimos mais uma vez em busca de comida e após sair sem comer de uma Churrascaria A La carte (coisa que eu nunca vi) fomos ao Garota Carioca no bairro Flamengo comer picanha na chapa e tomar chopp.
Já em casa, Grazi e Pati desmaiaram de sono e eu e Leandro ficamos dando risada do Programa do Silvio Santos com suas pegadinhas escrotas.
Como vocês podem ver, escalamos 3 estilos de escalada em uma trip de 4 dias. A hospitalidade e a disposição de Leandro e Grazi tornaram tudo mais fácil e prazeroso. Para mim essa viagem foi fundamental para resgatar a paixão pela escalada, para aliviar a cabeça e relembrar que o importante da vida é a amizade, a diversão e as experiências únicas que vivemos na pedra, seja ela alta ou baixa.
Aconselho a quem for pro RJ não deixar de conhecer a Urca e levar corda e crashpad, afinal Júnior (nosso crashpad) foi tão utilizado que chegou a ir ao topo do Pão de Açúcar. KKKKKKK!
Com a chegada das chuvas o AVPAF parou! Alguns dos membros desistiram da escalada e resolveram voltar para “esportes” da adolescência, mas como não paramos de receber emails, cartas e telegramas pedindo novas atualizações, resolvemos mandar um de nossos membros para a Cidade Maravilhosa com a promessas de atualizações quase que diárias.
Frase de efeito do repórter: “Prometo que nenhum V0 da Urca ficara impune”.
KMON!!! Que os ventos de São Pedro sopre as nuvens para longe e de um dab(zinho) nos boulders. E que os deuses das montanhas iluminem a cabeça desses meninos. Rs!
Como estou com preguiça de escrever vou deixar apenas as fotos da via K2 que termina nos pés do Cristo.
Queria agradecer a Grazi que montou o excelente roteiro de escaladas pelo Rio, proporcionando conhecer as principais paredes da cidade mesmo com pouco tempo. Ao Leandro que mesmo nos dias de trabalho arrumou tempo para gente poder escalar. A São Pedro que mesmo nós dando um banho na Floresta da Tijuca, deixou que a gente escalasse todos os dias.
Sem palavras para agradecer a receptividade dos dois.
PS: Na segunda (último dia de escalada) ainda fui conhecer a Pedra do Urubu, faltou os boulder. Rs!
Sexta a noite, depois do Festival, começou aquela negociação para saber onde iriamos escalar no sábado, meus amigos "pop's" do Rio começam a querer marcar escalada com "deus e o mundo", Leandro e sua dificuldade de dizer "não", topa tudo. Hehehe! Nesse dia vimos três filmes XC-Open World Series 2009 - Mundial de Paragliding, Platô e Dias de Tempestade. O primeiro foi filmado em Araxá-MG e tinha a participação do Gustavim, que foi para o Festival graças a prefeitura de Araxá (rs), o segundo foi feito pelo Ricardo Cosme que conhecemos em Sete Lagoas, era um filme em formato documentário e contava a história do Platô da Lagoa, um dos muitos lugares para escalar no Rio (Oh, cidadezinha abençoada para a escalada). O terceiro filme foi feito pelo Eliseu Frechou de São Bento do Sapucaí, contava a história da conquista do Monte Roraima, com belas e boas imagens, um personagem caricato (Marcio Bruno) e um bom enredo (leia-se perengue na montanha), foi o que mais empolgou o público e foi o que eu dei como sendo o provável ganhador do Festival.
Escutar de todos os amigos do "casal 20 carioca", que a Passagem dos Olhos tinha uma "puta" caminhada, já me fez esperar pelo pior. Rs! Várias pessoas que moram no Rio nunca fizeram essa escalada porque tem que caminhar muito. Animador isso, não? Mas vamos lá, treinamento patagônico.
Após uma cervejinha furada no final da noite voltamos pra casa para preparar o corpo para o dia seguinte. No outro dia passamos para pegar o Gustavim que iria pegar uma carona para a Barrinha, e "rumamos" para a Floresta da Tijuca (que faz parte do Parque Nacional da Tijuca). Gustavim pegou a trilha para a Barrinha e nos tocamos uma hora e quarenta minutos morro acima até a Pedra da Gávea, quem me conhece deve imaginar o tanto que eu reclamei. Hehehe! E joga a "cordinha" de 70 metros para um lado, para outro, coloca no pescoço... negócio desengonçado é carrega corda de escalada fora da mochila e sobe, sobe... sobe mais um pouco, até finalmente chegar na base da via. A escalada é tecnicamente fácil, mas o que todos temem são as passagens horizontais ou travessias.
Tem até uma história trágica, mas na nossa empreitada de trágico não teve nada, só cômico.
Chegamos na base da via e a Grazi cogitou a possibilidade de não fazer a via, que tinha medo de horizontais e blah, blah... Vejam se pode, caminhar 1h40 carregando equipamento pra não fazer a via? Mas o Leandro usou de toda a sua psicologia e eu prontamente me juntei a ele. As meninas sabem que tenho muita paciência nessas horas. Rs!
Após terminar a via ainda é preciso caminhar um pouco até o cume, pausa breve para curti o visual e comer alguma coisa e nesse meio tempo já começou a mudança de tempo. Começamos a descer a trilha rápido para passar logo pela "carrasqueira", nessa hora encontramos umas 4 pessoas, que mesmo com o tempo mudando continuaram subido. Posso até está enganado, mas eles não passavam uma imagem de pessoas preparadas para aquele perrengue. Acho que eles dormiram no cume, escurecia muito rápido e a tal "carrasqueira" se tornou bem mais difícil com a cachoeira que descia nela. Nessa hora deixei de lado o escalador e desci bem de vagar com a bunda na pedra para não escorrega.
Passado esse momento tocamos trilha abaixo com chuva forte no "lombo", quando chegamos em outro trecho de pedra para descer um grupo grande estava na nossa frente, umas 8 pessoas em uma operação formiga para descer uns trechos de pedra. Eu só pensava: "PQP"! Olhava para cara da Grazi e a frustração era a mesma.
Apenas relaxamos e esperamos, até a hora que conseguimos passar o grupo. O pessoal carregava barraca e os de mais apetrechos para acampar, acho mesmo não sendo permitido eles estavam acampados lá em cima. Existe um grutinha na trilha e eles preferiram aguarda lá ou dormir junto com mais umas três pessoas que já estavam lá se protegendo da chuva.
Aproveitamos a grutinha e pegamos as headlamps e tocamos para baixo. Descemos no breu por causa da mata fechada e da chuva, algumas erradas na trilha, alguns escorregões e 2 horas de caminhada depois encontramos o Gustavim na entrada do parque esperando a gente a uma hora.
Ufa!
Essa hora já nem existe mais condições físicas e mentais para ir no Festival, uma pena porque nesse dia ia passar o filme Nanga Parbat, sobre os irmãos Messner e a conquista dessa montanha.
Finalmente consegui desembarca no Rio de Janeiro, depois de tanto falar que iria visitar mais esse casal de amigos eles aprenderam uma coisa:
Não me chama, que eu vou!
Cheguei quinta (21/10) direto para o 10ª Festival de Filmes de Montanha ou como algumas pessoas chamam Banff, pego um táxi:
–Para Cinelândia, ao lado do Amarelinho. Vou no Cine Odeon Petrotabras.
Essa era senha para dizer para o taxista. Chego lá e a seção já começou
Ainda deu tempo de assistir dois filmes da seção das 21h da Mostra Competitiva (Slack Brasil e Surf nas Montanhas). Ambos não empolgaram muito. Metro para voltar pra casa, quero dizer para o cafofo da Grazi e do Leandro. Apartamento bem localizado ao lado da Devassa. Rs!
Dia 22 o pessoal sai para vida normal e eu fico em casa igual "gato de hotel", la pelas tantas a Grazi me avisa no gtalk que o Leandro vai voltar para casa para fazermos a Italianos, Face Oeste do Pão de Açúcar, 270 metros de parede até chegar no Bondinho.
Como bom brasiliense escalador de esportiva e boulder, estava só com uma sapatilha apertada (até mandei uma mais folgada para a Grazi ressolar, mas o Fabiano das ressolas estava viajando), juntando a isso a pedra quente, acabei com o meu pé. Rs!
Escalada para se usar bem o pé, pega na "merdinha" e força na perna. O vento ajudou a minimizar o calor, para nossa sorte. Sempre quis fazer essa via, principalmente quando comecei. O melhor de tudo é com certeza o visual, Santos Dumont de um lado, ponte Rio-Niterói no fundo, Cristo do outro lado, mar envolta.
Sabe aquele dia que você não escala nada, mas que acaba sendo legal? Pois foi o que aconteceu no domingão em Cocal.
Fomos Dany e eu, apresentar a escalada em boulder para um casal de amigos que não escala, Lú e Arthur (conhecido no submundo do crime como "Discípulo Gafanhoto"). Mesmo sabendo que não é o lugar ideal para uma 1ª impressão da escalada, optei por Cocal pela preguiça de carregar os equipos pra escalar vias e pelo horário que saímos de casa (umas 10:30 da manhã), pois a dupla de animados estava participando de uma corrida de 5 Km na Esplanada.
Chegamos na Casa da Cobra/Florestinha, onde a Dany entrou no "Ao Lado do Benvindo" (V2), evoluindo bem, mas ainda tendo dificuldades na saída do abaulado. Eu acabei entrando "Força Vetor/Praia" (V4), o qual havia entrado com muita facilidade na semana passada e levei uma surra sem precedentes do 1º move dinâmico do boulder (que também ficou pra próxima).
A grata surpresa do dia ficou por conta dos dois estreantes, que em sua 1ª incursão a Cocal e à escalada, propriamente dita, finalizaram o "positivão" que fica na pedra do "Pingue Pongue". Ainda fomos ao Mocó, pra Dany entrar no "V2 do Fax", que quase saiu na 1ª entrada. Lú e Arthur viram que nem só de facilidades vive um escalador iniciante, e passaram um perrengue no "Fendinha" (V1), mesmo passando muito bem pelo seu começo e fazendo força, de verdade, pra entalar a mão da fenda.
Vocês devem estar pensando no quão sem graça foi esse post car@s leitores, mas a graça e a razão, dele ter sido escrito está no detalhe das fotos (que mais uma vez não estão com a melhor qualidade, devido à internação de um dos membros do AVPAF - a Câmera do Batata).
Relacionando o que vi neste domingo com o relato do domingo passado que o Esdras escreveu, e que versava acerca da frustração que a escalada pode gerar e que devemos manter o ânimo e, simplesmente, "escalar por escalar e pelo prazer de estar junto à natureza", mesmo quando as cadenas não ocorrem, vejo que não temos nada do que reclamar e que é só a gente querer, que as coisas acontecem.
Prestem atenção nas fotos, principalmente as que tem o Arthur, e procurem algum motivo/detalhe para vocês pensarem positivamente também!
Lú e Arthur, valeu a presença, o exemplo e aguardamos vocês novamente nos bondes!
Estilo de escalada pouco compreendido. Para ascender a via o escalador utiliza de degraus, clifs, jumares e muitas parafernálias. A quantidade de equipamentos leva a crer que não se faz esforço físico o que é pura ilusão. Essa escalada é uma ciência que demora a ser aprendida e que exige acima de tudo apoio financeiro e patrocínio. A graduação está intimamente ligada ao perigo que se corre ou em poucas palavras a proximidade com a morte.
A0 – É aquela via que tem um ex-namorado fortinho. Tem seu risco, mas você confia no seu equipamento.
A1 – O ex-namorado nesse caso foi campeão sul-americano de muai tai e costuma treinar chutando coqueiros com a canela e dando cotovelada na pilastra. Sabendo os procedimentos e com um bom equipamento se resolve.
A2 – Além do ex-namorado campeão o irmão dela que é o melhor amigo dele é também campeão só que na categoria peso pesado. Aqui além do equipamento e do conhecimento você vai precisar de um “seg” de confiança e experiente.
A3 – Esqueça o irmão e o ex-namorado, nesta graduação a via é agente da polícia federal ou da ABIN e possui 2 ex-namorados que se mudaram do país após o fim do relacionamento.
A4 - A via tem o irmão campeão de vale-tudo, o pai é capitão do BOPE, ela é agente da polícia federal e treina um pouco de tiro ao alvo, é um pouco ciumenta e já colocou em coma 1 namorado só por que ele foi levar uma prima no aeroporto.
A5 – A via é casada com um cara que cumpriu 6 anos de prisão por homicídio e seu último caso faz xixi sentado desde o dia em que ela o pegou lendo uma playboy no banheiro.
Estilo democrático de escalada que exige pouco equipamento, mas muita força e disposição. Os locais para essa prática são conhecidos pelas inúmeras possibilidades de abertura de novos “problemas” em um mesmo bloco. Vejamos como se dá a graduação dos problemas.
V0 - Boulder tranqüilo que exige do escalador tomar um banho, passar perfume e ficar conversando em baixo do prédio ou na porta de casa da mina por horas a fio.
V1 – Exige além do banho e do perfume um cineminha de “comédia romântica” com direito a pipoca.
V2 – Pegou o carro do pai, buscou em casa e após o cinema com pipoca, pagou o fast food e levou em casa. Resolvido!!!
V3 – Colocou roupa nova, pegou o carro, buscou em casa com um bichinho de pelúcia, levou no cinema com direito a pipoca, jantarzinho e levou em casa. Mandou à vista!!!
V4 – Colocou roupa nova, mandou lavar o carro, buscou em casa com bichinho de pelúcia, levou ao cinema com direito a pipoca e guloseimas, levou pra curtir um boteco com música ao vivo, pagou bebidas e petiscos e levou em casa do outro lado da cidade.
V5 – Colocou roupa nova, mandou lavar o carro, buscou em casa com bichinho de pelúcia, levou ao cinema com direito a pipoca e guloseimas, foi no boteco com música ao vivo, pediu pra tocar aquela música do Djavan, pagou bebidas e petiscos e levou em casa do outro lado da cidade.
V6 - Chegou de terno, levou pro cinema, pagou um jantar chique, levou no motel 5 estrelas com direito a champanhe, levou em casa no outro município.
V7 – Esqueça o cinema. Esse problema só é resolvido em ambientes mais áridos como baladas em boates e clubes caríssimos. Além de pagar mais de R$ 50 pra entrar, esse problema exigirá de você habilidades de dançarino de ritmos que você desconhece. O trabalho de pés aqui é fundamental.
V8 – Esse é aquele boulder que a saída é o mais difícil. Vai ter que ir em casa e convencer o pai da moça (militar de alta patente) sobre suas intenções mesmo que vocês estejam saindo pela primeira vez. Depois disso é claro que ela vai exigir uma balada estilo V7. Kamommmm!!!!
V9 – Além de convencer o pai da moça vai ter que levar a irmã mocréia que nem um de seus amigos terá a compaixão de resolver. Atenção na “seg” de corpo que a base é perigosa.
V10 – Esse problema para ser resolvido exigirá o convencimento do pai, levar a irmã feia e a prima bêbada pagar bebida e entrada pra todo mundo na balada estilo V7 e dançar a noite toda. Mas nem pense que vai virar fácil esse boulder. Ele exigirá pelo menos 5 entradas desse tipo.
V11 – Aqui se inicia a fase de ter que malhar por longos períodos até mandar o projeto. O comprometimento do escalador em mandar o projeto exigirá tudo o que ele sabe. Começa com todos os passos anteriores e no dia seguinte você manda flores e escreve um depoimento no orkut. – Vai que você está sólido!!!
V12 – Após meses repetindo a seqüência acima, você vai ter que pedir em namoro, freqüentar a casa e agüentar aquela amiga chata e fútil com apelido de “Lú” (geralmente um nome tipo Lusinelda).
V13 – Você já está namorando, já fez tudo o que sabia e por fim surge aquele convite na mesa do almoço da família do problema: - Você vai participar do amigo oculto esse ano, não é!?
V14 – Além de participar do amigo oculto, você vai começar a participar de momentos familiares tipo batizado de priminho distante, pelada casados X solteiros, aniversário de 80 da bisavó, etc. Tudo isso com aquele sorriso na cara e sem poder exagerar na bebida alcoólica.
V15 – Esse aqui pra resolver só casando de papel passado.
Estilo de escalada mais conhecido e romântico. Exige preparo, mas acima de tudo planejamento. Todos os elementos são determinantes no sucesso dessa escalada no final a vista costuma justificar todo o esforço. A graduação é uma mescla da esportiva acrescida do grau de exposição ao risco. Em uma escalada tradicional cada cordada pode corresponder a uma via esportiva.
E1 – Amigo, irmã, mãe e tia faltam te forçar a entrar na via. Com tanta proteção desestimula a escalada por que não tem exposição a risco nenhum.
E2 – Você confia no “seg”, acredita que a via está no seu grau, mas no meio da escalada tem aquela cordada que é um pouco mais exigente, tipo ir conhecer a família da moça com menos de uma semana de relacionamento.
E4 - O esticão entre as proteções e a falta de agarras exige do escalador atenção porque se cair pode machucar sério. O “seg” desempenha um papel fundamental no apoio psicológico do escalador. Essas vias têm elementos determinantes no risco como um pai militar ou um irmão campeão de vale-tudo.
E5 – Uma queda aqui pode sobrecarregar toda a parada e levar o seg junto. É aquela via ciumenta que chega no bar e vira a mesa em cima de você e dos amigos.
E6 - Uma queda aqui ou mata ou faz o cara parar de escalar. Essa via geralmente tem em seu currículos 3 ou 4 ex-maridos e nem todos estão vivos para contar história. Conhecida também por atingir o escalador com objetos cortantes inviabilizando sua reprodução.
Mais uma vez o AVPAF vem colaborar com a construção da escalada no Brasil. O texto abaixo é uma aproximação da graduação em escaladas esportivas, tradicionais, "artificial" e boulder, com a dificuldade de conquistar aquela gata sonhada.
A comparação é inevitável porque para um escalador de verdade uma bela mulher é como uma grande escalada: você planeja, treina muito, muda de hábitos, compra equipamentos, vai a lugares inusitados e de difícil acesso em busca dela e pode passar meses tentando encadená-la. Ela por sua vez parece uma pedra – não olha pra você, não se mexe em sua direção, exige do seu físico e psicológico e se você não se cuidar ela vai te machucar.
Escalada esportiva
É aquela que todo mundo acha que a altura na assusta, mas que exige muito da resistência, força e psicológico do escalador. O trajeto é mais importante que o cume e encadenar uma via pode demorar minutos, horas, dias ou até mesmo anos dependendo do seu projeto de vida.
4º - É aquela via pro escalador iniciante que chega, encadena e não conta pra ninguém pra não ser sacaneado. Mesmo assim para quem esta começando deixa aquela sensação de vitória.
5º - É a via que você nem sabe o que te levou até a base, mas você chega e se encadenar a vista ainda comemora no final.
6º - Geralmente aquela via gente boa e amiga da galera. O papo justifica mais que a aparência. Via que você vai encadenar e gastar tudo o que sabe para limpar com direito a rapel com prussik. 6º sup – Além de simpática e amiga da galera é considerada bonitinha ou "estilosa". O crux se justifica mais pelo medo de perder a amizade que pela dificuldade da via. Costuma dar bastante trabalho pra limpar como costuras travando e penduladas perigosas.
7a – O alvo inicial de todo escalador que acha que está fortinho. O cara olha mal no croqui e acha que já vai chegar encadenando a vista esteja onde estiver. Costuma derrubar feio o escalador, mas malhando um pouco rola de encadenar. 7b - Via que geralmente exige umas 10 tentativas antes de ser encadenada. Exige atenção do amigo "seg" porque dependendo da queda inviabiliza a cadena para sempre porque traumatiza o escalador. 7c – Esse é o tipo de via lendária. Todo mundo acha bonita e tem sempre um amigo mentiroso que conta que um dia, no passado ele encadenou. Essa mentira prosseguirá porque ninguém perguntará a via se é verdade ou não. Como não tirou foto, não filmou não rola de acreditar. Lembre-se ainda: o seg que estava com ele também é escalador, ou seja, também poderá mentir para manter a honra do esporte.
8a – O tamanho das agarras costuma enganar (geralmente grandes abaulados). Essa é aquela via que você vai chegar achando que mesmo com quedas rola de equipar até o fim e descer de "baldinho". Engano seu! Vai chegar "tijolado" na terceira proteção, suar pra cacete e rapelar do cordelete ou abandonar um mosquetão no meio da via.
9a- É aquela via que você já tentou o primeiro movimento de top rope, seus amigos também tentaram e ninguém passou da primeira proteção. Aliás, ninguém que você conhece encadenou. Geralmente esse tipo de via gera lendas como "um dia veio um cara de minas aqui e mandou a vista" o que é pura mentira.
10a – Nem você nem seus amigos se aventuram nesse tipo. São vias conhecidas por terem sua primeira ascensão e permanecerem meses e até anos esperando que venha algum escalador de outro lugar para encadenar e confirmar o grau. Costuma-se dizer que essa via escolhe o escalador e não o contrário.
11a - Essa é aquela via que já foi citada em revistas do ramo e já teve duas ou 3 ascensões no máximo. Todos os relatos dos "encadenadores" chamam atenção para a dificuldade e exigência da via, mas sempre terminam com a frase " a via mais linda que eu já escalei". Costuma virar pôster ou porta retrato na casa do escalador.
O Eliseu Frechou publicou dois artigos [1, 2] muito interessantes em seu blog sobre fitas e sua utilização com nós. Vale a pena ler.
Eu não sabia, por exemplo, que cada linha paralela no corpo da fita valia 10KN! Na prática o que isso significa para os leitores do blog AVPAF, agora quando você for comprar aquela fita por metro para arma sua rede naquele ponto estratégico da falésia ou mesmo para montar seu slack line em volta daquela árvore grossa, não precisa mais comprar fitas com 30KN de resistência, pois, 10KN já é o bastante.