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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Climb Trip Rio - continuação

Dia 2

Manhã de sol escaldante e céu azul , eu (Esdras) e Pati decidimos ir a praia para curtir um pouco. Ipanema é uma praia foda, mar verde transparente, sol e muita cerveja com direito a rir dos outros por muitas horas. Já em casa, semi bêbado e no fim de tarde saímos pra comer em uma padaria (porra em Brasília não existem padarias legais como no RJ). Chegando em casa Leandro já botou a pilha. – Partiu pra pedra do Urubu. Mais uma vez na Urca , munidos de headlamps e do lampião radioativo do Leandro, fomos eu, Pati, Grazi e Leandro escalar vias esportivas, carregando é claro o Crash que já ganhou o nome de Júnior porque incomoda igual uma criança pra ser carregado.

O problema do climb dessa vez foi que Leandro nos colocou em duas vias complexas na Pedra do Urubu. Urubu Capenga (7a/b E1) e Aresta do Urubu (7b E1) Roubando no primeiro movimento consegui tocar até o final da via Urubu Capenga (top rope claro), Pati a mesma coisa. A segunda via estava simplesmente fora do meu alcance, movimento de boulder, foothook pra entrar na via, Pati atambém tentou e após pular o movimento inicial subiu um pouco mais. Como estávamos com luz e crash partimos para um boulder chamado Bote Certo (7b) que para mim tornou-se pendência. Fiz a primeira entrada e comecei a isolar o bote (ou dinâmico) do final do boulder o que me deu esperanças, mas havia um movimento no meio da travessia que não fechava. Leandro e Pati também fizeram boas entradas mas o problema tava osso demais.

O melhor de tudo foi o visual, Lua cheia, o mar batendo na pedra logo abaixo e outro detalhe, sempre há gente escalando nos picos do RJ. Saímos já às 22h da pedra e partimos para o Garota da Urca , boteco bom com uma picanha na chapa que é um fenômeno.






Dia 3

São Pedro fazendo aquela presença, solzão e todo mundo meio atrasado, acordando com preguiça. Após muita indecisão , ponderações sobre o sol e o calor, resolvemos ir para o Grajaú, juntos de Rodrigo e Fernanda (um casal gente finíssima e que escalam muito).

O Parque do Grajaú é algo fora de série. Churrasqueiras, duchas e banheiros e muita, mais muita pedra para boulder e vias esportivas geralmente top ropes na sombra. A rocha em questão é uma das mais machuquentas que eu já vi na vida. Montamos 4 tops de graus variados e desconhecidos por nós e passamos a manhã esfolando os dedos em vias bem boulderísticas. Pude ainda parar e olhar a linha do boulder "Olhos de Fogo" um clássico muito falado por ser um boulder difícil e complexo.

O interessante dessa escalada foi a possibilidade que eu e Pati tivemos de revisar os procedimentos de rapel e parada, em um ambiente mais tranqüilo e com a instrução da professora Grazi.

Após toda escalada resolvemos almoçar do outro lado do RJ em um lugar chamado Prainha. Ao longo do caminho ficamos bestificados com a beleza e a variedade de ambientes que o RJ tem. Serras, praias paradisíacas, florestas ... é muita coisa pra um lugar só. Comemos um belo peixe e após muita conversa boa resolvemos ir para casa.

Ir para casa significou pegar um engarrafamento monstruoso na cidade, afinal todo mundo desceu para a praia já que o dia estava perfeito. Demoramos apenas 3 horas para fazer o percurso e chegamos exaustos em casa. Pizza e mais PS3, dessa vez eu e Leandro travamos batalhas homéricas no futebol, como um Brasil x Argentina que terminou em 4x3 para os hermanos hehehe.

Em meio a muito vídeo game percebemos que a chuva despencava lá fora.







Dia 4

Passei a madrugada acordando e verificando a situação da chuva acreditando que a benevolência de São Pedro havia acabado. Já às 7h eu rodava pela casa ansioso por saber o que faríamos. Não chovia desde às 5h e o sol já aparecia entre nuvens. Em meio a muito debate entramos no carro e partimos para a Urca onde acreditávamos que se tudo estivesse molhado rolaria algum boulder. Quando olhamos para o Morro da Babilônia percebemos que a maior parte da pedra estava seca. Eu e Leandro partimos prontamente para a pedra na decisão de escalar a via Vilma Arnaud.

Completamente ansioso, pois nunca havia escalado algo tão alto e com posicionamentos e técnicas estranhas, comecei a gelar antes de subir. Leandro montou a P1 e lá fui eu, esvaziando a mente e tocando com um ritmo até bom. A via é incrível, com muito movimento em equilíbrio , sem agarras de mão mas com pés bons. Quero dizer, pés bons para quem possui uma sapatilha mais confortável. Como praticante de boulder e esportiva, minha sapata é extremamente apertada, o que torna dificílimo escalar parede. Já na p3 meus pés me davam sinais de que não iam melhorar. Resolvemos ir até a p4 e ver a situação, porém após uma queda besta eu rasguei o dedo e achei melhor parar por ali, afinal meu sonho estava completo, escalei acima dos 100m de altura num visual incrível, com o dia entre nuvens, um ventinho frio batendo, ou seja, perfeito.

Lá embaixo, Grazi e Pati faziam a p1 da mesma via. Descemos e após muita comemoração saímos para a Urca na intenção de fazer boulder. Nosso grupo agora contava com Felipe e PH que apresentaram problemas de difícil acesso, base estranha mais com uma qualidade impressionante. No Bloco Preguiça Patrícia, Felipe e Leandro mandaram rapidamente o boulder inicial e uma variação tipo travessia. Com o dedo estourado, os pés assados eu ainda dei uns pegas mas não agüentava mais a sapata.

Caminhamos por blocos com o mar batendo e chegamos em um problema que não sei o nome. Um boulder fantástico saindo de um teto com movimentos esticados e uma base assustadora. PH nesse momento deu um show de escalada mandando fácil. Pati tentou mas achou esticado e Felipe e Leandro evoluíram bem mas travaram.

Partimos para o bloco famoso Bloco chamado Ouriço. O boulder em questão era completo, travessia para um teto, com agarras boas e muita explosão. PH fez uma boa entrada, Felipe também, Pati foi evoluindo e de repente Leandro provou que apesar de escalar paredes ainda preserva suas raízes de Cocalzinho. Mandou fácil o boulder. A cadena inspirou PH que fez a linha por agarras mais difíceis, Pati que isolou todo o boulder mas faltou força e pele pra tentar a cadena e Filipe que também mandou bem, faltando pouco pra encadenar.

Finalizando fomos ao boulder Gringo já na Pista Claudio Coutinho. PH mostrou como era a linha e Leandro boulderísta mandou sem problemas. Pati até segurou nos regletes mas desistiu pois os dedos estavam mau. Partimos mais uma vez em busca de comida e após sair sem comer de uma Churrascaria A La carte (coisa que eu nunca vi) fomos ao Garota Carioca no bairro Flamengo comer picanha na chapa e tomar chopp.

Já em casa, Grazi e Pati desmaiaram de sono e eu e Leandro ficamos dando risada do Programa do Silvio Santos com suas pegadinhas escrotas.

Como vocês podem ver, escalamos 3 estilos de escalada em uma trip de 4 dias. A hospitalidade e a disposição de Leandro e Grazi tornaram tudo mais fácil e prazeroso. Para mim essa viagem foi fundamental para resgatar a paixão pela escalada, para aliviar a cabeça e relembrar que o importante da vida é a amizade, a diversão e as experiências únicas que vivemos na pedra, seja ela alta ou baixa.

Aconselho a quem for pro RJ não deixar de conhecer a Urca e levar corda e crashpad, afinal Júnior (nosso crashpad) foi tão utilizado que chegou a ir ao topo do Pão de Açúcar. KKKKKKK!


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Fast Trip - Rio de Janeiro

Mesmo apanhando do computador politicamente correto da Grazi (linux), resolvemos escrever um breve relato do inicio de nossa fast trip pelo Rio de Janeiro. Chegada no aeroporto com meia hora de atraso, Grazi e Leandro nos buscam e ao entrar na sala do apartamento damos de cara com o Doença (Pedro Raphael) que estava pelo RJ escalando. Conversa vai, conversa vem Leandro me convida para jogar PS3 e eu como bom viciado em jogos aceito. Rapidamente Pati e Grazi vão dormir e o Doença se "emputece" e resolve ir tomar um chopp no Devassa (devia ser meia noite) seguido rapidamente pelo Leandro. Como eu estava na pilha de escalar no dia seguinte fui dormir.

Café da manhã digno de hotel, com pão novo e quentinho. Muita conversa na mesa e meu primeiro acidente. Quebrei a xícara de porcelana colonial da Grazi. Saímos eu e Pati com um crash dos grandes, pegamos metro, taxi e em meio a muita gente na rua chegamos na Urca. Munidos do guia de escalada da Urca (por sinal uma belíssima publicação) fomos em busca dos boulders do local. Já na pista Cláudio Coutinho ficamos apreciando as belezas e potencialidades do RJ para escalada. Chega a ser sacanagem com o resto do pais, os cariocas tem praias maravilhosas, montanhas e falésias para todo tipo de escalada e como se não bastasse existem blocos com problemas muito bons. Paramos no bloco do 800 que nos pareceu uma boa ambientação já que estávamos sozinhos. Entramos em dois VIsup um deles da nome ao bloco que saíram com certa facilidade (tirei onda hehehe) porém a decida era complicada e pensei em pular no crash mas fui aconselhado por um passante a descer pela rampa cheia de lodo que dava acesso a outra pedra pois o jump seria de aproximadamente 3 metros. Decidimos malhar dois problemas mais fortes Arestim (VIIc) e Buraco Negro (VIIa). Patricia evoluiu bem no Arestim mas não rolou de passar o crux, eu fiz algumas boas entradas caindo no meio do Buraco Negro e não decifrei nada do Arestim. Os problemas daqui são completamente diferentes de tudo o que já escalamos, com muito equilíbrio, poucas agarras de mão e muita exigência nos pés. Vale a pena demais escalar boulder na Urca principalmente para os iniciantes pois é fácil de achar e a base é incrível.

Escalamos por mais de 2 horas e decidimos almoçar e fazer o turismo básico. Subimos de bondinho ao Pão de Açúcar e podemos apreciar a beleza que só o RJ tem. Já em casa eu e Leandro aderimos novamente ao PS3 e de repente percebemos que as meninas estavam demorando a trazer o rango. Na verdade elas estavam no Bar Devassa, enchendo a cara e quando chegamos haviam atualizado as conversas nos restando falar mal do Batata por algum tempo. Hehehehe!

Hoje o role vai ser num SPA ( sol, praia e álcool) seguido de mais boulders no fim de tarde. Antes que vocês xinguem, o fim de semana sera regado de escaladas tradicionais onde eu e a Pati seremos iniciados nesse estilo de escalada. Detalhe ontem fez sol e hoje o dia ta lindo.

Abração galera, as fotos mandamos mais tarde quando a Grazi chegar para operar essa tranqueira. Hehehehe!


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Rio de novo...

Com a chegada das chuvas o AVPAF parou! Alguns dos membros desistiram da escalada e resolveram voltar para “esportes” da adolescência, mas como não paramos de receber emails, cartas e telegramas pedindo novas atualizações, resolvemos mandar um de nossos membros para a Cidade Maravilhosa com a promessas de atualizações quase que diárias.

Frase de efeito do repórter: “Prometo que nenhum V0 da Urca ficara impune”.

KMON!!! Que os ventos de São Pedro sopre as nuvens para longe e de um dab(zinho) nos boulders. E que os deuses das montanhas iluminem a cabeça desses meninos. Rs!

sábado, 6 de novembro de 2010

K2

Como estou com preguiça de escrever vou deixar apenas as fotos da via K2 que termina nos pés do Cristo.



Queria agradecer a Grazi que montou o excelente roteiro de escaladas pelo Rio, proporcionando conhecer as principais paredes da cidade mesmo com pouco tempo. Ao Leandro que mesmo nos dias de trabalho arrumou tempo para gente poder escalar. A São Pedro que mesmo nós dando um banho na Floresta da Tijuca, deixou que a gente escalasse todos os dias.

Sem palavras para agradecer a receptividade dos dois.




PS: Na segunda (último dia de escalada) ainda fui conhecer a Pedra do Urubu, faltou os boulder. Rs!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

AVPAF na Terra dos Monstros*

Sexta a noite, depois do Festival, começou aquela negociação para saber onde iriamos escalar no sábado, meus amigos "pop's" do Rio começam a querer marcar escalada com "deus e o mundo", Leandro e sua dificuldade de dizer "não", topa tudo. Hehehe! Nesse dia vimos três filmes XC-Open World Series 2009 - Mundial de Paragliding, Platô e Dias de Tempestade. O primeiro foi filmado em Araxá-MG e tinha a participação do Gustavim, que foi para o Festival graças a prefeitura de Araxá (rs), o segundo foi feito pelo Ricardo Cosme que conhecemos em Sete Lagoas, era um filme em formato documentário e contava a história do Platô da Lagoa, um dos muitos lugares para escalar no Rio (Oh, cidadezinha abençoada para a escalada). O terceiro filme foi feito pelo Eliseu Frechou de São Bento do Sapucaí, contava a história da conquista do Monte Roraima, com belas e boas imagens, um personagem caricato (Marcio Bruno) e um bom enredo (leia-se perengue na montanha), foi o que mais empolgou o público e foi o que eu dei como sendo o provável ganhador do Festival.

Escutar de todos os amigos do "casal 20 carioca", que a Passagem dos Olhos tinha uma "puta" caminhada, já me fez esperar pelo pior. Rs! Várias pessoas que moram no Rio nunca fizeram essa escalada porque tem que caminhar muito. Animador isso, não? Mas vamos lá, treinamento patagônico.

Após uma cervejinha furada no final da noite voltamos pra casa para preparar o corpo para o dia seguinte. No outro dia passamos para pegar o Gustavim que iria pegar uma carona para a Barrinha, e "rumamos" para a Floresta da Tijuca (que faz parte do Parque Nacional da Tijuca). Gustavim pegou a trilha para a Barrinha e nos tocamos uma hora e quarenta minutos morro acima até a Pedra da Gávea, quem me conhece deve imaginar o tanto que eu reclamei. Hehehe! E joga a "cordinha" de 70 metros para um lado, para outro, coloca no pescoço... negócio desengonçado é carrega corda de escalada fora da mochila e sobe, sobe... sobe mais um pouco, até finalmente chegar na base da via. A escalada é tecnicamente fácil, mas o que todos temem são as passagens horizontais ou travessias.

Tem até uma história trágica, mas na nossa empreitada de trágico não teve nada, só cômico.

Chegamos na base da via e a Grazi cogitou a possibilidade de não fazer a via, que tinha medo de horizontais e blah, blah... Vejam se pode, caminhar 1h40 carregando equipamento pra não fazer a via? Mas o Leandro usou de toda a sua psicologia e eu prontamente me juntei a ele. As meninas sabem que tenho muita paciência nessas horas. Rs!

Após terminar a via ainda é preciso caminhar um pouco até o cume, pausa breve para curti o visual e comer alguma coisa e nesse meio tempo já começou a mudança de tempo. Começamos a descer a trilha rápido para passar logo pela "carrasqueira", nessa hora encontramos umas 4 pessoas, que mesmo com o tempo mudando continuaram subido. Posso até está enganado, mas eles não passavam uma imagem de pessoas preparadas para aquele perrengue. Acho que eles dormiram no cume, escurecia muito rápido e a tal "carrasqueira" se tornou bem mais difícil com a cachoeira que descia nela. Nessa hora deixei de lado o escalador e desci bem de vagar com a bunda na pedra para não escorrega.

Passado esse momento tocamos trilha abaixo com chuva forte no "lombo", quando chegamos em outro trecho de pedra para descer um grupo grande estava na nossa frente, umas 8 pessoas em uma operação formiga para descer uns trechos de pedra. Eu só pensava: "PQP"! Olhava para cara da Grazi e a frustração era a mesma.

Apenas relaxamos e esperamos, até a hora que conseguimos passar o grupo. O pessoal carregava barraca e os de mais apetrechos para acampar, acho mesmo não sendo permitido eles estavam acampados lá em cima. Existe um grutinha na trilha e eles preferiram aguarda lá ou dormir junto com mais umas três pessoas que já estavam lá se protegendo da chuva.

Aproveitamos a grutinha e pegamos as headlamps e tocamos para baixo. Descemos no breu por causa da mata fechada e da chuva, algumas erradas na trilha, alguns escorregões e 2 horas de caminhada depois encontramos o Gustavim na entrada do parque esperando a gente a uma hora.

Ufa!

Essa hora já nem existe mais condições físicas e mentais para ir no Festival, uma pena porque nesse dia ia passar o filme Nanga Parbat, sobre os irmãos Messner e a conquista dessa montanha.

Perrengue? Não, treinamento patagônico. Hehehe!

domingo, 24 de outubro de 2010

Italianos + Secundo de segundo

Finalmente consegui desembarca no Rio de Janeiro, depois de tanto falar que iria visitar mais esse casal de amigos eles aprenderam uma coisa:

Não me chama, que eu vou!

Cheguei quinta (21/10) direto para o 10ª Festival de Filmes de Montanha ou como algumas pessoas chamam Banff, pego um táxi:

–Para Cinelândia, ao lado do Amarelinho. Vou no Cine Odeon Petrotabras.

Essa era senha para dizer para o taxista. Chego lá e a seção já começou

Ainda deu tempo de assistir dois filmes da seção das 21h da Mostra Competitiva (Slack Brasil e Surf nas Montanhas). Ambos não empolgaram muito. Metro para voltar pra casa, quero dizer para o cafofo da Grazi e do Leandro. Apartamento bem localizado ao lado da Devassa. Rs!

Dia 22 o pessoal sai para vida normal e eu fico em casa igual "gato de hotel", la pelas tantas a Grazi me avisa no gtalk que o Leandro vai voltar para casa para fazermos a Italianos, Face Oeste do Pão de Açúcar, 270 metros de parede até chegar no Bondinho.

Como bom brasiliense escalador de esportiva e boulder, estava só com uma sapatilha apertada (até mandei uma mais folgada para a Grazi ressolar, mas o Fabiano das ressolas estava viajando), juntando a isso a pedra quente, acabei com o meu pé. Rs!

Escalada para se usar bem o pé, pega na "merdinha" e força na perna. O vento ajudou a minimizar o calor, para nossa sorte. Sempre quis fazer essa via, principalmente quando comecei. O melhor de tudo é com certeza o visual, Santos Dumont de um lado, ponte Rio-Niterói no fundo, Cristo do outro lado, mar envolta.

Subir o Pão de Açúcar foi incrível, "mas esse ainda não é o meu Rio de Janeiro". Hehehe!


Esquecemos a câmera e o jeito foi usar o celular

domingo, 21 de fevereiro de 2010

BLOCO DE CARNAVAL: SE VOCÊ DER CORDA EU CAIO!!!

O Bloco de Carnaval "Se você der corda eu caio" reuniu 11 foliões brasilienses com o objetivo de escalar muito na Serra da Bocaina, Araxá-MG. Já na saída os primeiros atropelos de um grande desfile. Três carros alegóricos lotados de coisas, atraso e 600 km pela frente.

Tudo certo até Araxá-MG onde fomos recepcionados por Chuck (brasiliense mineiro) e Chorão (escalador local). A receptividade mineira mais uma vez impressionou, Chorão queria nos levar até o abrigo mesmo tendo que organizar diversas coisas e cuidar do seu filho. Marcelo , nosso intrépido carioca do cerrado já havia escalado na Bocaina a tempos atrás e sabia o caminho. Após a espera típica para os atrasados fazerem compras no mercado seguimos.

Partimos com a missão de seguir o professor Bêra e Marcelo nos próximos 27 km de estrada de chão. Após a metade do caminho nosso guia esqueceu dos demais componentes , acelerou demais , entrou em bifurcações e sumiu. Eu em meu carro, Julio no dele seguimos juntos perdidos por cerca de 40 minutos em meio a encruzilhadas, fazendas, mata-burros e muita poeira. Bêra nos fez perder grandes pontos no quesito HARMONIA.

Nos reencontramos e seguimos meio perdidos, cansados, sujos. No caminho pausa para uma pequena jibóia desfilar na avenida. No abrigo a grande surpresa: 16 cabeças de Goiânia-GO estavam acampados em baixo da área coberta. Foi uma grande alegria afinal sempre nos encontramos em Cocalzinho-GO, Belchior-GO e até na Serra do Cipó.

Armamos nossa favelinha nos fundos do abrigo com 7 barracas, fogões, caixa térmica tudo digno de uma grande "farofada". Hehehe! Pontos importantes no quesito ALEGORIA para o mega fogão do sogro do Julio, cafeteira italiana de Bêra e fogareiro himalaiano do Marcelo. Pelo horário cabia a nós descansar e recepcionar a galera de Goiânia que já estava a um dia escalando por ali, pela cara de cansaço a escalada prometia.

As vias da Serra da Bocaina são simplesmente fora de série. Proteções bem feitas, base confortável e próximas do Abrigo (cedido para a atividade graças a articulação local dos escaladores). Destaco aqui as vias Chapeletas Voadoras (cerca de 50m de um 7A clássico, duas paradas mas dá pra tocar numa paulada só) , Hipnose (7C com um descanso semelhante a um sofá logo no início da via); Mão de Vaca (8ª clássico com um puta dinâmico no final da via) , Zumbi da Bocaina 8B sinistro demais e para os iniciantes (como eu) Bonsai Cearense (5º enorme, que parece uma escada) ; Comando Delta (6º com um mov lindo de bidedo para abaulado) e Sombra e Água Fresca (6º sup de 3 chapas pura adrenalina).

Na manhã seguinte partimos para "comer pedra" não dando ouvidos para o conselho de deixar para escalar a tarde. O setor Tetos mantém vias na sombra e todos seguimos para a diversão. Era fantástico ver que simplesmente todas as vias estavam equipadas e todo mundo escalando unido, numa "vibe" única.

No quesito COMISSÃO DE FRENTE destaco Júlio e Marcelo malhando a Mão de Vaca e Matheus Farage (nosso monstrinho) escalador jovem (recém 18 anos) mandando 7C à vista e apavorando nas vias mais clássicas. Matheus é uma grande promessa de Brasília que representou nossa terrinha na Etapa do Brasileiro e Seletiva Juvenil realizada em Curitiba-PR.

Soma-se a isso personagens fortes e ilustres como os locais Chorão, Daiex, Gustavim e Cabelin, os goianos Samurai, Fernandinho, Raphael, Mamão e Negavá atropelando as vias e a grande presença de Chuck sempre provocando grandes risadas. A forte presença feminina de Gretta malhando as vias mais difíceis dos Tetos, Cintia de Goiânia e outra escaladora que não lembro o nome mandando tudo no Setor Intermediário.

Era a Sapucaí pegando fogo com direito a Madrinhas de Bateria.

No questido BATERIA eu, Pati, Dani, Rodolfo e Monique malhamos aos montes a Sombra e Água Fresca, Comando Delta e um monte de vias entre 5º e 7A.

Destaque para o quesito MESTRE SALA e PORTA BANDEIRA para os casais do nosso bonde Rosinha e Bêra, Júlio e Dani, Monique e Rodolfo e Esdras e Pati que apavoraram em todos os setores.

Como todo desfile o momento tristeza foi ver Bêra caindo e forçando o joelho na Mão de Vaca o que finalizou sua escalada naquele local.

No quesito ALA DAS BAIANAS estava Álvaro (Batata) que ficou rodando, rodando, tirando fotos e não escalou quase nada. Salve as marchinhas do nosso bloco:

O teu cabelo não nega Batata
Batata tu não escalou.
O teu cabelo não nega Batata
Batata só fotografou!!!


A noite no Abrigo era simplesmente demais, coletividade unida na compra da cerveja, improviso fantástico de reggae do goianos, percussão e muita alegria demonstrando que mesmo com apenas um banheiro, geladeira coletiva, água do banho racionada por problemas da caixa d'água todos seguiam com o sorriso na cara, o respeito e a amizade. Para mim as cenas vividas ali servem de lição para quem tenta criar esse clima de guerrinha infantil entre Brasília e Goiânia.

Os dias se passaram com uma ida a Cachoeira Argenita (cerca de 15km do Abrigo) encantadora pela beleza mas desesperadora pela estrada de chão (pobre do meu carro e mais uma vez nos perdemos na avenida) e cadenas inesquecíveis como a de Matheus na Menos Curta e Mais Grossa e na Hipnose, Fernandinho na Zumbi, Samurai na Chapeletas Voadoras e tantas outras que não dá para descrever.

Mas o melhor momento de cadenas foi a sequência feminina de Pati, Dani e Rosinha mandando a Sombra e Água Fresca. Nesse momento nosso bloco tocava o axé do Tchan que descrevia a via:

Já pegou no agarrão? –Já peguei
Já pegou no regletinho? –Já peguei
Já pegou no monodedo? –Já peguei
Agora pare!
Pegue no Abaulado
Desce ordinária


O jantar no último dia merece destaque com maionese caseira, strogonof de frango, arroz carreteiro, purê de batata e tanta coca-cola que nem parecia que estávamos na roça. Correria e o medo da chuva. Muito vento e falta de fé de alguns. Mais uma vez a marchinha tocou:

Se você pense que em Araxá cai água
Em Araxá não cai água não,
Em Araxá a pedra é sempre seca
E nunca gasta a sua mão


A despedida teve direito a visita ao Muro (academia) da galera de Araxá com os anfitriões Gustavim (Francês) e Gretta mostrando o slackline montado, muro interno e externo, acompanhamento nutricional e fisioterapia tudo isso num esquema muito arborizado e com parte da estrutura ao ar livre. Parabéns galera demais a estrutura de vocês.

Nosso bloco finalizou bem o desfile e retornou a Brasília feliz da vida e cheio de memórias e alegrias. Deixo aqui um grande abraço pra galera de Goiânia (Tiozão, Fernandinho, Samurai, Minduim e a cabeçada toda), Chorão, Daiex e Cabelin (a Bocaina é demais assim como a estrutura do abrigo e acima de tudo a hospitalidade de vocês) e ao Chuck Lombra.





quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Escalada Esportiva nas Paraolimpíadas!

Aproveitando os recentes acontecimentos que apontam para o reconhecimento da escalada esportiva como esporte olímpico o AVPAF tem o orgulho de apresentar seus atletas para as Paraolimpíadas de Escalada:

Júlio Sá o escalador que não consegue esticar o braço.

Rodrigo "Bêra" que após a ida a Araxá-MG não consegue mais dobrar o joelho.

Aguardem o relato do Bloco "Se você der corda eu caio" que apavorou na Bocaina (Araxá-MG) neste Carnaval e não deixem de decidir o destino de Júnior.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Relato da viagem a Sete Lagoas

Esta viagem começou na verdade a mais de dois meses. Com o retorno de Julio da Serra do Cipó-MG. Começamos a priorizar os fins de semana na pedra antes quinzenais agora semanais. Depois de idas e vindas na Fercal-DF, Cocalzinho-GO e Belchior-GO surgiu o desejo de viajar e conhecer algo novo. Claro que eu sei que sou iniciante e não mandei nada por aqui, mas em matéria de viagens até que posso tirar onda (ao todo já são 20 estados brasileiros conhecidos). Ávido leitor de todo e qualquer site de escalada me deparo com as constantes novidades de Sete Lagoas-MG e senti que aquele era o lugar certo para minha primeira trip de escalada. O próximo passo era convencer os demais integrantes.
Demorei cerca de 30 segundos para convencer Julio, outros 2 dias para convencer Álvaro e lancei o convite a Rodolfo e Fernando (Fera) na esperança de formar um bonde de 5 pessoas. Faltava apenas o habeas corpus junto às esposas, superado rapidamente pela proximidade do STF e pelas milhas da TAM de Julio e minhas que mandaram para longe as promotoras de acusação hehehe. O Fera rodou, pois conseguiu um novo emprego e assim éramos 4 aventureiros prontos e decididos a contrariar as previsões do tempo que falavam em chuva durante todo o fim de semana.
Entrei em contato com abrigo, peguei mapa, Julio conseguiu GPS (apelidado de Maria) e na sexta-feira (04/09) partimos rumo a Sete Lagoas sem almoçar, mas com sanduíches providenciados pela DJ. O assunto no carro limitava-se a escaladas, mulheres, carros e, sobretudo ao trabalho psicológico para que Rodolfo supera-se a síndrome do TRAVA . Maria sofria da mesma doença que Rodolfo, uma tendência incontrolável de sair da rota da via, mas não atrapalhou, pois de Brasília a 7L é uma reta (BR040).

1º dia - Aê você é o Fred?
Chegamos em 7L após 7 horas de viagem somadas a meia hora de idas e vindas na rua do abrigo que não segue nenhuma lógica numérica a não ser par de um lado ímpar de outro. Chovia e a inscrição do número da casa do Abrigo é bem apagada
Na porta do Abrigo a surpresa

– Ninguém em casa!

A fome apertava, o cansaço da viagem também e alguém pergunta:

- Aê Esdras liga pro Peixe, o Fred disse no email que era pra ligar pra ele.

Lembrei que não peguei telefone algum e começa então os xingamentos de meus companheiros que ameaçavam me jogar na lagoa para que eu achasse o Peixe. A única coisa sensata a fazer era ir comer e torcer para quando voltarmos eles já estarem em casa.
Fomos direto para as margens da Lagoa do Paulino o único referencial de diversão em 7L (todos menos a Maria sabiam como chegar lá). Após avaliarmos as inúmeras opções gastronômicas de 7L optamos por aquela que mais chamou a atenção – a torre de 4 litros de chopp – quero dizer pizza.
Ao entrarmos na pizzaria olho para todas as mesas com a sensação de que todos olham para nós e reparo em um rosto familiar. Como bom telespectador do CSI lembrei que vi aquela cara em algum site e pela camiseta era escalador.

– Aê você é o Fred?
– Não, eu sou o Peixe.

A mesa estava ocupada por Peixe, Isabela (namorada do Peixe), Dany Andrada Cover (Ricardo Cosme), Ângelo Gomes, Dolph Lundgren (na verdade o nome do maluco era Matt Halls) e por Raquel Guilhon. Quando ouvi a galera do Rio de Janeiro (população famosa pela afinidade com a boêmia) falar que ia dormir às 21 horas em plena sexta feira, eu tive certeza que eles levavam a escalada a sério. Dolph, no entanto não nos dirigiu a palavra, mas descobrimos que ele fizera isso por que era escocês e provavelmente não entendera nada do que falávamos.
Após o chopp e a pizza fomos ao abrigo dormir e nos prepararmos. A vontade de todos era dormir até as 8 horas da manhã (afirmada pelos alarmes previamente ajustados), porém o sol invadiu o quarto às 06h e rapidamente todos já estavam de pé e arrumados. Rodolfo dirigiu-se ao banheiro e ao dar de cara com Dolph tomou um susto tão grande que adiou por um dia a defecação.
Perguntamos aos cariocas como chegar a pedra e para lá rumamos, no caminho pausa para um café e compra de mantimentos em uma padaria e uma longa espera pelo desfile de crianças de alguma escola local. Saímos da cidade e como todo bom brasiliense acostumado com números nas ruas, nos perdemos!
Após o telefonema para o Peixe (sim agora já possuíamos o número) chegamos ao estacionamento jurando que a caminhada até a base da via era algo semelhante à Fercal (metros de pura tortura) e nos surpreendemos, menos de 15 metros de trilha e estávamos no Setor 45.
Fred Viana e uma galera mineira já malhavam a via Dupla Dinâmica (8b) numa parede negativa jamais vistas pelos candangos acostumados com a verticalidade de nossa região. A opção foi "dar um peguinha" na via Felomônio (7a/b) negativa com agarras perfeitas.
O escolhido para equipar a via foi Julio que passou o primeiro lance tranqüilo equipando até a penúltima proteção por conselhos de Fred que falou sobre as abelhas no fim da via. Batata entrou na via, desenvolveu bem malhou os movimentos, Rodolfo entrou bem, mas pediu para travar na altura da terceira proteção e então entrei na via e pasmem... Não passei do primeiro movimento.
Já com lágrimas nos olhos e pensando: - O que é que eu vim fazer aqui! Assisti Alex (Alexander Gessner), um paulista acelerado entrar na via com uma trilha sonora questionável, mandar em menos de dois minutos equipando a última chapa sem nem ver abelhas. Julio entrou, tomou quedas desequipou a última chapa e então deu início a aula que nenhum dos brasilienses conhecia: "Como passar um perrengue monstro desequipando uma via negativa". Rodolfo entrou para ajudar e foi calmamente desequipando, caindo e quase me aleijando na seg.
Seguimos ao Setor Intermediário que estava distante cerca de 200 metros por uma trilha limpa e suave. Chegando lá percebemos a quantidade de vias em uma única parede com uma galera escalando. O primeiro destaque foi a entrada de Raquel (mina carioca) que atropelou uma via 8b com um ritmo constante. Ao lado estava Dolph equipando um 8c/9a (Dois Lados) com um clip stick profissa. Nesse momento Álvaro já havia repensado seu preconceito com clipstick e quase perguntou por quanto Dolph vendia o dele.
Eu, na tentativa de superar o trauma da Felomônio pensei comigo: - Eu não mando nada mesmo, estou aprendendo a guiar e essa parede tem pelo menos umas 5 vias entre 5º e 6º grau. Decidi pela terapia da positividade. – Vou mandar tudo o que está ao meu alcance e se possível equipando e guiando.
Álvaro e Julio se jogaram em um 6ºsup mineiro que facilmente seria um 7a brasiliense (sem diminuir nossos escaladores, mas a via tinha um movimento dinâmico para um reglete que era cabuloso).
Rodolfo como bom e generoso amigo me deu seg em duas vias Quase Perfeito (5º) e Nas Profundezas do Armário (5º) encadenando as duas também para desequipar. Decidi entrar na Aranha Sai de Mim (6º) equipei inteira até o topo, bundei na hora de costurar e cai (mas eu considero que mandei pq equipei até o fim). Rodolfo encadenou e Julio entrou para limpar a via.
Mais uma vez Rodolfo demonstrou que a ausência da esposa compromete o esporte. Não comprou comida e ficou choramingando dizendo:

– Meus braços estão me puxando para cima.

Todos refletimos que na escalada essa é a função dos membros superiores, mas o que o nobre colega quis dizer era que estava com câimbras insurpotáveis.
Álvaro aproveitou a existência de um 7c (Perdidos na Noite) equipado pela galera carioca e aproveitou para malhar também. Aproveitamos o restinho da tarde assistindo aos mineiros e paulistas escalando tudo no Setor Intermediário. Retornamos ao Abrigo (coisa de 10km de carro) tomamos aquele banho merecido e ficamos trocando idéia com os demais habitantes na cozinha. Legal perceber o interesse da galera de outros estados em escalar em Cocalzinho-Go faz a gente valorizar o que temos próximo de casa.
Fomos para o centro de 7L que nada mais é do que as margens da Lagoa do Paulino, e caímos na besteira de ficar dando voltas a pé (após toda escalada) até decidirmos pelo mais óbvio comer na ferinha e beber cerveja em algum bar. Após pastéis e churrasquinhos lá estávamos em uma mesa de bar bebendo na companhia de Peixe e namorada, 6º (Luciana Barros) e Vovó Garota (Patrícia Caetano).
Conversa vai, conversa vem o grupo decide passar no Abrigo e seguir posteriormente para algum boteco Rock'n Roll. Nesse momento eu quase desisti e dormi (Rodolfo também dava sinais de derrota) mas tinha certeza que a noite prometia histórias e me mantive firme. Após rodar todas as ruas de 7L encontramos o bar fechado para reformas. O mais lúcido a fazer seria ir para casa, mas não! Quem está no inferno abraça o capeta, fomos a Cabana do Peixe beber as saideiras.
A mesa do bar parecia uma conferência com inúmeros assuntos. Batata já demonstrava interesse e pontos comuns com 6º (coisa de comunicadores sociais), Peixe e namorada já estavam desmaiando na cadeira e eu, Rodolfo e Julio ficamos suportando os papos de Vovó Garota (assim apelidada pela estranha necessidade de afirmação de sua idade avançada em relação aos demais membros da mesa). Retornamos ao Abrigo certo de que aquelas cervejas seriam cobradas na pedra no dia seguinte.

2º dia - "Mestre dos Magos"
O sol mais uma vez foi generoso e às 7 horas estávamos prontos e de banho tomado rumando para a padaria. Ao chegar lá e comer o pão com ovo mais sem graça da minha vida acompanhado de café, Julio como bom atleta buscou o suplemento indicado para todos: Coca-cola gelada em uma garrafa de 1250ml de vidro (coisas que só 7L tem). Mais animados procuramos rango em outro lugar, mas não arrumamos nada.
Nosso objetivo era passear e conhecer os demais setores (quem sabe escalar um pouco após a ressaca passar). Fomos para o Setor Carinha (Bloco Carinha) com vias altas e alucinantes. Já estávamos pensando em qual entrar quando Fred surgiu como o "Mestre dos Magos" informando a graduação e betas das vias e sumindo rapidamente. Após uma análise pouco criteriosa Julio decide equipar algo que para ele era uma 7a. A primeira costura colocada a seg a postos e Julio realizou apenas o primeiro move e desistiu (parecia algo insano demais). Depois da surra resolvemos retornar ao Setor intermediário passando pelo Setor Macumba.
Incrível a variedade de vias e estilos em 7L cada hora é uma surpresa. O Setor Macumba representa uma cúpula negativa ao extremo com concreções insanas, mas nada acessível ao nosso grupo. Na passagem entre o Setor Macumba e o Setor Antigo encontramos novamente o "Mestre dos Magos" Fred que apontou dois 6ºsup. Julio equipou bem a via "Do Cabulete" caindo em alguns movimentos. Rodolfo e eu entramos de Top Rope e Batata atropelou a via no estilo speed climb(mas estava de top rope). Começou a chuviscar, mas nada que assustasse.
Fomos ao Setor Antigo onde fizemos fotos idiotas. Interessante a semelhança da parede deste setor com o Vale da Lua na Chapada dos Veadeiros-GO (é um vale da lua na vertical e sem água). Este setor é um mar de vias com abaulados.
Decidimos ir escalar de verdade no Setor Intermediário. Eu e Rodolfo entramos em um 5º positivo, mantendo minha terapia de equipar e encadenar.
Julio e Batata malharam a Metamorfose da Buterfly 7a e para finalizar o dia após minha insistência entramos na Ressaca(6ºsup). Essa é uma via clássica do Setor Intermediário, com agarras inéditas e descansos como "entalamento de corpo". Batata equipou com quedas, entrei costurando até a 3ª costura e cansei (retornei a Brasília com este trauma) e Julio limpou.
Retornamos ao Abrigo na certeza de não repetir a noite de bebedeira já que partiríamos no dia seguinte após meio dia, ou seja teríamos mais uma manhã de escalada.Na cozinha do Abrigo ficamos curtindo as mixagens de Dolph que agora já se tornara nosso amigo e conversando com a galera carioca. Um fato espantoso era Dani Andrada Cover malhando pesado após um dia de escalada. Senti-me culpado e abri uma cerveja hehehe.
Sentamos para comer carne (proteína necessária) e beber cerveja. Falamos todas as asneiras possíveis e voltamos ao abrigo para beber e curtir som.

3º dia - TRAVA!!!
Mais uma vez acordamos cedo, arrumamos tudo e fomos para a pedra resolver algumas pendências.
Batata afirmou que encadenaria a Felomônio (7a) sacando costura (como demonstra seu olhar na foto). Entrou bem, caiu na penúltima proteção, mas terminou de equipar. Como choveu muito a noite, Álvaro descobriu agarras encharcadas e passou os betas para Julio que entrou em seguida e encadenou (mesmo com toda a umidade da pedra). Entrei novamente, fiz o primeiro move, segui bonito e quando ouvi a frase :

- Se estiver bem costura!

Lembrei que não estava de Top Rope e adrenei "TRAVA!!!". Rodolfo entrou e malhou os movimentos demonstrando que com um pouco de estímulo a cadena seria possível (quem sabe na próxima).
Fomos ao Setor Intermediário e Batata insistiu em entrar em um 7a. Pela disposição em equipar todos achávamos que ia rolar até o fim mas Álvaro desistiu na 3º proteção e lançou a campanha "Não abandone seu Cordelete" fazendo o rapel pelo cordelete e recuperando o mesmo.
Após as despedidas entramos no carro certos de que 7 Lagoas era um local mágico, acessível a todos os níveis de escaladores, com uma galera gente boa demais e que vem realizando um grande trabalho em prol da escalada no Brasil (como o Fred diz "é uma galera com alma de sherpa").
Difícil foi conter a constante vontade de comparar a acessibilidade e a quantidade das vias com as dificuldades do Planalto Central (a Fercal nunca mais será a mesma). Depois de grandes debates sobre graduações (comparando a perspectiva mineira e candanga) desembarcamos com uma pizza quentinha nos esperando e com a certeza de que essa foi a primeira de muitas.

Fotos

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Mais fotos de Sete Lagoas

Abrigo 7L



Rodolfo no Setor 45

Esdras guiando tudo no Intermediário

Cariocas e o Dolph

Malhando um 7c


Rodolfo em um 6sup, com um "movi" de 7a. Hehehehe!


Esdras em mais uma do Setor Intermediário

Fingindo pagar umas barras

Macumba

Palhaçada

Setor Antigo

Julio

Esdras malhando a Ressaca 6sup. Rs!

"Brother" que é "brother", equipa tudo e ainda descobre os betas para o parceiro

Photoshop

Final do dia no Abrigo...

...ouvindo um som...

...e cansado de um dia de escalada.
Obrigado ao pessoal do Abrigo 7L em especial a Fred e Peixe.

Sete de setembro em Sete Lagoas




Julio na via Felomonio, 7a/b.
Em breve mais detalhes...